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Infância raiz: O Torneio de Baladeira na Paraíba que resgata as brincadeiras de terreiro e dá prêmio em dinheiro
24 de maio de 2026 / 21:16
Foto: Divulgação

O Nordeste possui uma capacidade singular de fundir o humor, a tradição, a memória afetiva e o pertencimento popular em seus acontecimentos comunitários. É sob essa ótica de exaltação das nossas raízes que a cidade de Montadas, no Agreste paraibano, sedia o 3º Torneio de Baladeira. O evento, que eleva o antigo instrumento de galho de madeira e elástico ao status de modalidade competitiva de pontaria, está agendado para o dia 31 de maio de 2026, a partir das 09h da manhã, em uma cervejaria da cidade. Montadas fica localizada em um ponto estratégico do estado, a apenas 25 km do polo de Campina Grande e a 161 km da capital, João Pessoa.

Muito além de uma simples disputa de mira, a baladeira — também chamada de estilingue, badoque ou balinheira a depender da microrregião — carrega o simbolismo de um tempo em que a criatividade ditava o ritmo dos quintais. Antes da centralização das telas digitais, o artefato fazia parte da rotina de crianças que cresciam:

  • Territórios Rurais: Nos sítios, fazendas e eixos produtivos do semiárido;
  • Cenário de Interior: Nas calçadas e pequenas ruas das cidades interioranas;
  • Cultura de Terreiro: Nos quintais amplos e comunidades integradas à natureza.

A força da brincadeira artesanal frente aos tempos modernos

A realização do torneio cumpre um papel fundamental de resistência cultural e preservação histórica, mostrando que as tradições populares seguem vivas e encontram espaço de valorização mesmo em tempos de forte transição tecnológica. A baladeira representa a infância simples, onde o brinquedo era confeccionado de forma artesanal pelas próprias mãos, utilizando galhos de árvores nativas selecionados geometricamente, tiras de borracha e couro.

Essa engenharia lúdica moldou a memória coletiva de gerações de paraibanos. O evento resgata esses elementos e os coloca em uma estrutura de celebração pública, utilizando componentes que habitam o imaginário coletivo do povo sertanejo:

  • Estética Regional: Tipografia rústica, referências às grandes feiras e festas de interior;
  • Clima de Confraternização: Trilha sonora amparada pelo forró tradicional e valorização das tradições de terreiro;
  • Identidade Sertaneja: Um ambiente que respira o orgulho e o humor característicos do interior do estado.

“A baladeira pode até parecer algo simples sob o olhar urbano contemporâneo, mas ela representa um pedaço sagrado da infância de muita gente no Nordeste. Transformar essa prática em um torneio estruturado é uma forma de manter viva a nossa verdade histórica”.

Premiação e o valor do pertencimento cultural

O Torneio de Baladeira consolida-se como um acontecimento cheio de personalidade e orgulho regional. Ele atrai desde competidores veteranos, que trazem a precisão calibrada na infância de sítio, até as novas gerações interessadas em vivenciar as dinâmicas da tradição raiz.

A disputa promete movimentar o turismo e a economia local de Montadas no fim do mês. Para acirrar a competitividade e garantir a alta performance na linha de tiro, o evento distribuirá uma premiação em dinheiro de até R$ 1.500,00 para os primeiros colocados que demonstrarem a melhor pontaria. No fim das contas, a iniciativa ultrapassa a barreira do esporte recreativo e se firma como um manifesto de pertencimento, reafirmando que a verdadeira riqueza cultural do Nordeste reside na capacidade de transformar os costumes mais simples em grandes momentos de celebração coletiva.

Para acompanhar mais histórias sobre cultura regional, memórias do interior e as grandes tradições do nosso povo, acesse nossa editoria de Cotidiano.

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