
O domingo de folga virou dia de exercer a democracia e decidir o futuro político em duas cidades do interior do Rio Grande do Norte. Neste domingo (17), os eleitores de Itaú, no Alto Oeste potiguar, e de Ouro Branco, no coração da região do Seridó, retornaram às seções eleitorais para escolher seus novos prefeitos e vice-prefeitos. Essa votação fora do calendário tradicional — chamada de eleição suplementar — foi organizada pela Justiça Eleitoral após a cassação definitiva dos gestores que haviam sido eleitos no pleito regular por abuso de poder e infrações nas urnas.
Apesar de acontecer em caráter excepcional, a estrutura montada seguiu o rigor de uma eleição oficial nacional. O processo utilizou urnas eletrônicas auditadas e contou com a fiscalização direta dos cartórios eleitorais de cada comarca, blindando a transparência e a legitimidade da escolha de cerca de 10 mil cidadãos aptos a votar que se dividem entre os dois municípios.
O desenho das chapas e o peso do eleitorado
Nas duas frentes de disputa, os blocos partidários se organizaram para conquistar os votos da comunidade local. Em Ouro Branco, município que possui 4.527 votantes habilitados, a corrida pelo comando do Palácio Municipal ficou polarizada entre a chapa de oposição liderada pela Dra. Fátima (PT) — que trouxe Denis Rildon (PSDB) como vice — e o grupo governista capitaneado pelo Professor Amariudo (PP), acompanhado pelo Doutor Araújo (PP).
Já em Itaú, terra de 5.085 eleitores no Alto Oeste, a disputa pelo Executivo colocou frente a frente:
- Federação Brasil da Esperança: Com a candidatura de Fabrício Régis (PT) e o vice Branco Basilio (PT);
- Federação União/Progressistas: Liderada por Zé Roberto Pezão (União Brasil) e tendo Rosa Basílio (União Brasil) na composição de vice.
O clima nas zonas eleitorais foi marcado por calmaria e cidadania desde as primeiras horas de votação. A atual chefe do Executivo de Ouro Branco, Maria Eduarda — que assumiu interinamente a prefeitura com apenas 20 anos de idade —, destacou a importância de o município atravessar um processo pacífico focado em melhorias estruturais para a população. Em Itaú, o sentimento de civilidade foi endossado pela professora Deusivânia Santos, que elogiou a fluidez nas seções e reforçou o valor pedagógico do voto consciente.
O Modo Nordestino de Votar: A festa da democracia no interior
Para o povo das pequenas cidades do interior potiguar, o dia de eleição guarda uma mística que vai muito além da disputa partidária. É o momento em que a praça principal vira o grande terreiro da opinião pública, onde o agricultor, o professor e o comerciante vestem a sua melhor roupa para dar o seu veredito na urna. O modo nordestino de votar é altivo e corajoso: nossa gente sabe o peso que a caneta do prefeito tem na estrada que escoa o roçado, no remédio do posto e na merenda da escola. Retornar às seções no meio de um domingo comum para consertar os rumos da política é a prova de que o Sertão não se curva aos desmandos; ele usa o quengo e o dedo na urna para entalhar o seu próprio destino com dignidade.
Segurança reforçada e mandato até 2028
O monitoramento logístico e de segurança pública garantiu que a jornada transcorresse sem sobressaltos. O coronel Maximiliano Fernandes, comandante do Comando de Policiamento Regional I na região Oeste, confirmou que nenhuma ocorrência de crime eleitoral ou distúrbio foi registrada ao longo do dia, carimbando o sucesso da operação integrada.
Com o encerramento da apuração e a proclamação dos resultados pela Justiça Eleitoral, os candidatos eleitos em Itaú e Ouro Branco não terão tempo para descanso. Eles assumirão o comando das prefeituras com o desafio de pacificar as cidades e conduzir os planos de metas locais até 31 de dezembro de 2028. Em cenários de exceção, a realização de novas eleições suplementares mostra-se o remédio constitucional mais eficiente para limpar os excessos do poder econômico e assegurar que a soberania popular seja soberana e respeitada em cada canto do RN.
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