
O setor supermercadista no Nordeste vive um momento de franca expansão, mas com uma dinâmica curiosa no território paraibano. Enquanto estados vizinhos, como Pernambuco e Ceará, consolidaram grandes redes bilionárias, a Paraíba se destaca como um exemplo de mercado pulverizado. Aqui, o cenário é dominado por operadores médios e redes familiares que, somadas, movimentam bilhões, mas sem a presença de um único “gigante” dominante.
De acordo com o Ranking ABRAS 2026, as 10 maiores redes do estado faturaram, juntas, R$ 3,3 bilhões. O dado mais relevante é que nenhuma dessas empresas ultrapassou ainda a barreira do bilhão individualmente, o que mantém a competitividade equilibrada e favorece a capilaridade em cidades médias como Campina Grande, Guarabira e Patos.
O Modelo Paraibano: Capilaridade e Proximidade
Diferente do modelo de grandes hipermercados centrais, o varejo paraibano apostou na vizinhança. Esse crescimento foi alicerçado em três pilares:
- Gestão Familiar: Redes que conhecem profundamente os hábitos de consumo local.
- Expansão Gradual: Investimentos orgânicos que evitam o endividamento excessivo.
- Foco em Bairros: Presença forte em áreas residenciais e polos regionais.
Case de Sucesso: A Trajetória do BeMais Supermercados
O maior expoente desse modelo é o BeMais Supermercados. Fundada em 1994 pelos irmãos Raílton e Ronaldo Cardoso da Costa, a rede começou como uma pequena mercearia de bairro em João Pessoa e hoje lidera o ranking estadual.
| Indicador BeMais | Dados de 2025/2026 |
| Faturamento | R$ 860 milhões |
| Posição Nacional | 104º lugar |
| Número de Lojas | 13 unidades |
| Geração de Empregos | ~ 2.000 funcionários |
A vantagem competitiva do BeMais e de outras redes locais reside no “mix ajustado”. Eles conseguem adaptar o estoque e as promoções de forma muito mais ágil que as grandes multinacionais, mantendo uma operação enxuta e uma conexão emocional com o cliente paraibano.
Tendências: Profissionalização e o Avanço do Atacarejo
Embora o mercado pulverizado tenha resistido bem, o cenário está mudando. A entrada de grupos como o Novo Atacarejo e a expansão de grandes marcas nacionais pressionam os players locais a buscarem mais profissionalização e tecnologia. Inegavelmente, o futuro do varejo no Nordeste passará por um processo de consolidação, onde as redes médias precisarão inovar na logística para manter suas margens.
Em suma, a Paraíba prova que a força regional é um motor econômico potente. Para conferir o desempenho detalhado do setor por região, acesse o portal da ABRAS. Da mesma forma, acompanhe as análises de mercado e oportunidades para o setor no site da ASPB (Associação Paraibana de Supermercados).