
O comportamento financeiro das famílias e o nível de comprometimento da renda na capital potiguar acenderam um sinal de alerta para o comércio e para as instituições de crédito neste início de ano, com o percentual de endividados Um levantamento técnico recente revelou que aproximadamente 85% dos lares em Natal encerraram o ano de 2025 com algum tipo de dívida ativa em seus orçamentos. O índice coloca a cidade em uma posição desconfortável no cenário geopolítico, superando com folga a média nacional de endividamento, que ficou travada em 80% no mesmo período.
Os dados constam na “Radiografia do Endividamento de 2026”, um amplo estudo de fôlego macroeconômico desenvolvido e divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A pesquisa realiza um diagnóstico minucioso da saúde financeira nas capitais brasileiras, servindo como termômetro para prever o poder de compra e o faturamento do varejo nos meses subsequentes.
Inadimplência recua de forma expressiva em relação a 2023
Apesar do contingente massivo de famílias com o orçamento comprometido com parcelas futuras, causando essa grande quantidade de endividados, o relatório da FecomercioSP traz um dado aliviador e que demonstra uma rota de recuperação na capacidade de pagamento do natalense. O estudo indica que 32% das famílias da capital potiguar fecharam o período em situação de inadimplência real — isto é, com contas que já venceram e não foram quitadas.
Embora quase um terço da cidade ainda enfrente esse gargalo, o número representa uma queda histórica nos endividados, e muito significativa quando comparado ao cenário de crise registrado em 2023, quando a inadimplência em Natal atingia a marca alarmante de 56% dos lares. Esse recuo expressivo sinaliza que as famílias, embora continuem usando o crédito em larga escala, conseguiram reorganizar as contas e limpar o nome ao longo dos últimos meses.
A diferença técnica entre estar endividado e estar inadimplente
Os economistas responsáveis pela Radiografia de 2026 reforçam a importância de fazer uma distinção clara entre os dois conceitos para evitar análises distorcidas sobre a economia local:
- Endividamento: Refere-se aos compromissos financeiros assumidos para os meses seguintes. São aquelas despesas que estão no prumo da normalidade e fazem parte do planejamento, como parcelas de financiamentos imobiliários ou automobilísticos, carnês de lojas e, principalmente, as compras parceladas no cartão de crédito;
- Inadimplência: É o cenário de quebra de contrato. Ocorre quando o consumidor ultrapassa a data do vencimento e deixa de realizar o pagamento daquela dívida, acumulando juros e entrando nos cadastros de restrição ao crédito.
O diagnóstico final aponta que o alto percentual de endividamento em Natal (85%) reflete a forte dependência que o consumidor local tem do cartão de crédito para manter o padrão de consumo ou fatiar despesas básicas de rotina. Por outro lado, a expressiva retração na inadimplência serve como um excelente indicador para as empresas do varejo e de serviços na Ribeira, Alecrim e grandes shoppings da capital: ela prova que o mercado consumidor potiguar está mais consciente, conseguindo honrar os compromissos assumidos e abrindo espaço para uma concessão de crédito mais segura e sustentável ao longo de 2026.
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