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A história da professora que transformou a fé em um acervo com 200 Santo Antônios
1 de junho de 2026 / 09:58
Foto: Divulgação

Junho é tempo de fogueira, de forró e também de fé. Em Salvador, uma tradição atravessa décadas dentro da casa da professora aposentada Rita Pinheiro, que há 30 anos dedica suas orações a Santo Antônio, um dos santos mais populares do Nordeste e conhecido por muitos fiéis como o santo casamenteiro.

Natural de Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, Rita construiu ao longo dos anos uma coleção que impressiona pela quantidade e pelo significado: são cerca de 200 imagens de Santo Antônio reunidas por meio de presentes, promessas e histórias de devoção.

Mais do que um acervo religioso, cada imagem guarda uma memória e representa uma experiência vivida por pessoas que encontraram na fé uma forma de agradecer graças alcançadas.

Uma devoção que começou com um presente inesperado

A relação de Rita com Santo Antônio ganhou força na década de 1990.

Na época, ela trabalhava como professora no Colégio Duque de Caxias, no bairro da Liberdade, quando recebeu de um homem desconhecido uma imagem do santo.

O presente simples acabou mudando sua vida.

A partir daquele momento, nasceu uma devoção que cresceria ano após ano, transformando sua residência em um verdadeiro espaço de oração e acolhimento para fiéis.

A professora também levou a tradição para dentro da escola, criando projetos educativos sobre a história de Santo Antônio e incentivando alunos a montarem pequenos altares em homenagem ao santo.

Cada imagem guarda uma história diferente

Ao longo das últimas três décadas, novas imagens foram chegando.

Muitas delas foram presentes de pessoas que atribuíram graças recebidas à intercessão de Santo Antônio.

Entre as peças mais especiais da coleção está uma escultura de concreto produzida por um artesão de Canudos, no interior da Bahia.

Outra imagem que ocupa lugar de destaque foi encontrada em condições precárias nas ruas e posteriormente restaurada por uma amiga da professora.

Para Rita, o valor de cada peça não está apenas na aparência, mas principalmente na história que carrega.

Trezena reúne fiéis e fortalece tradições

Todos os anos, durante o período das trezenas de Santo Antônio, a casa da professora se transforma em ponto de encontro para devotos.

Amigos, vizinhos e visitantes de outras cidades participam das celebrações realizadas tradicionalmente na primeira quarta-feira do ciclo de orações.

Durante os encontros, os participantes depositam pedidos aos pés das imagens.

Embora Santo Antônio seja conhecido popularmente pelos pedidos relacionados ao casamento, Rita conta que as intenções mais frequentes estão ligadas à saúde e à conquista da casa própria.

A tradição inclui ainda o sorteio de chaveiros do santo entre os participantes.

Segundo a professora, dois dos contemplados na edição anterior conseguiram adquirir apartamentos após participarem da iniciativa.

Fé que ultrapassa fronteiras

A devoção de Rita também a levou a conhecer lugares importantes ligados à história de Santo Antônio.

Ao longo dos anos, ela visitou Portugal, terra natal do santo, além da Espanha, onde estão seus restos mortais.

Também percorreu cidades brasileiras onde Santo Antônio é padroeiro, fortalecendo ainda mais sua ligação com a tradição religiosa.

Essas experiências ajudaram a ampliar seu conhecimento sobre a história do religioso e reforçaram a importância cultural que ele possui em diversas comunidades.

Santo Antônio permanece vivo na cultura nordestina

Muito além das igrejas e celebrações religiosas, Santo Antônio faz parte da identidade cultural do Nordeste.

Sua presença é percebida nas festas juninas, nas procissões, nas trezenas e nas inúmeras histórias de fé transmitidas entre gerações.

A trajetória de Rita Pinheiro representa justamente essa conexão entre religiosidade, memória e tradição popular.

Ao abrir as portas de casa para celebrar mais uma trezena em 2026, ela ajuda a manter viva uma manifestação que atravessa décadas e continua reunindo pessoas em torno da fé, da esperança e da devoção a um dos santos mais queridos do Brasil.

Para acompanhar essas e outras histórias sobre fé, cultura popular e tradições nordestinas, acesse nossa editoria de Cultura Popular e Tradições no Nordeste Online.

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