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A importância da gentileza urbana para cidades inteligentes brasileiras
26 de abril de 2026 / 18:32
Foto: Divulgação

As ruas de João Pessoa, assim como em grande parte das cidades brasileiras, são estruturadas prioritariamente para veículos, não para pedestres. Calçadas danificadas, postes no meio do caminho e esquinas sem visibilidade dificultam o simples ato de caminhar, tornando-o uma atividade que exige extrema atenção, como a de um piloto de Fórmula 1. Essa realidade evidencia a necessidade urgente de repensar o ambiente urbano em favor dos pedestres.

Recentemente, estive em Tóquio e observei uma iniciativa que ficou marcada em minha memória. Em uma obra da cidade, havia um marcador de decibéis posicionado na rua, acessível a qualquer pessoa, que monitorava o nível de ruído. Caso o barulho ultrapassasse o limite permitido, um alerta era enviado automaticamente ao órgão ambiental, o que resultava na interdição imediata da obra, sem necessidade de denúncias ou intervenção política. Vale destacar que, apesar de Tóquio ser uma das cidades mais barulhentas do mundo, esse sistema garante um controle eficiente do impacto sonoro.

No Brasil, ainda enfrentamos desafios relacionados à convivência urbana, como barulho excessivo de obras residenciais em horários inadequados, prejudicando o descanso e a qualidade de vida. Embora alguns empreendimentos já considerem a gentileza urbana e o bem-estar dos pedestres, tais iniciativas são esporádicas e dependem principalmente da boa vontade de alguns incorporadores. Ainda faltam ações efetivas do poder público e das prefeituras, que parecem não reconhecer que a verdadeira gestão urbana deve priorizar as pessoas.

Percebe-se também um equívoco comum na implantação de tecnologias, como a instalação massiva de câmeras, acreditando que isso configura cidades inteligentes. Contudo, tecnologia isolada não é sinônimo de inteligência urbana. Um recente livro organizado por professores da USP em parceria com a Unesco, intitulado “Cidades MIL: além da Inteligência Artificial e Inovação Social com ESG e Agenda 2030”, critica o modelo excessivamente tecnicista que ignora a dimensão humana. O conceito de cidade inteligente precisa incorporar educação, inclusão e participação social.

A sigla MIL representa alfabetização midiática e informacional, destacando que para uma cidade ser verdadeiramente inteligente, seus habitantes devem ser capazes de interpretar informações, identificar fake news e participar ativamente da cidadania digital. Sem esse engajamento, a tecnologia se limita a uma ferramenta de controle e infraestrutura, longe do ideal de uma cidade centrada nas pessoas.

O livro está disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP e constitui uma leitura recomendada para gestores públicos que ainda associam modernidade apenas à compra de softwares. A reflexão sobre a gentileza urbana e a participação cidadã é essencial para construirmos cidades inteligentes verdadeiramente humanas e inclusivas.

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