
O embargo ao petróleo em 1973 marcou profundamente a história energética do Brasil, ao revelar a vulnerabilidade dos países que dependem da importação de combustíveis fósseis. Essa crise serviu como impulso para a criação do Proálcool, dando início a uma trajetória dedicada à construção de uma matriz energética mais resiliente baseada em produção nacional, tecnologia automotiva e desenvolvimento dos biocombustíveis.
Nas últimas décadas, o Brasil converteu uma situação de fragilidade em um ponto estratégico vantajoso. O etanol deixou de ser uma solução temporária para se tornar parte integrante da matriz de transportes, com ampla produção nacional, motores flex, uma rede consolidada de distribuição e vasta expertise técnica na cadeia sucroenergética.
Diante das atuais tensões no Oriente Médio e dos riscos ao fornecimento global de petróleo, essa decisão histórica ganha novo destaque. Em momentos de conflito, bloqueios e volatilidade internacional, os países muito dependentes da gasolina fóssil ficam mais sujeitos a aumentos de preços e insegurança no abastecimento. O Brasil, por sua vez, conta com uma alternativa efetiva, renovável e produzida internamente.
Optar pelo etanol atualmente representa uma decisão que vai além do econômico: tem caráter energético e estratégico. Esse combustível renovável fortalece a segurança do abastecimento, reduz a dependência externa, impulsiona a agroindústria nacional, gera empregos e contribui para a descarbonização do setor de transportes.
Além do aspecto produtivo, o país avançou regulatória e tecnicamente. Em junho de 2025, o governo federal aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%, com vigência a partir de agosto. Essa medida baseou-se em estudo técnico coordenado pelo MME, incluindo cenários com E32, além da Lei nº 14.993/2024, que permite ampliar a mistura para até 35% mediante comprovação técnica e ato do Poder Executivo. Assim, o Brasil já possui respaldo técnico e jurídico para discutir serenamente o aumento para 32% de etanol anidro.
A lição do bloqueio de 1973 segue atual: a segurança energética é fruto de planejamento de longo prazo, produção nacional e diversificação da matriz. O Brasil aplicou isso com o etanol, e diante das incertezas globais atuais, ampliar o uso dos biocombustíveis é uma escolha inteligente e alinhada ao interesse do país.