
O mercado farmacêutico nacional e as redes de distribuição de medicamentos entraram em estado de alerta máximo nesta semana. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oficializou a suspensão imediata da comercialização, distribuição e uso de lotes específicos de medicamentos de grande circulação fabricados por dois laboratórios de peso no país: a Cimed Indústria Farmacêutica e o Instituto de Radioproteção e Dosimetria/Laboratório Hypofarma. A medida regulatória, chancelada em caráter preventivo e publicada no Diário Oficial da União, foi disparada após as próprias indústrias emitirem notificações de desvios de qualidade em suas linhas de montagem e envase, gerando riscos potenciais à saúde dos consumidores.
A intervenção da ANVISA visa estancar a circulação de produtos que apresentaram falhas que vão desde a alteração visual da composição química até o perigoso engano na identificação de tarjas e caixas. Paralelamente ao bloqueio dos lotes industriais, a Anvisa deflagrou um cerco contra o mercado informal, determinando a apreensão e a proibição absoluta de fabricação, importação, propaganda e venda de uma vasta lista de compostos fitoterápicos e produtos populares que vinham sendo comercializados de forma clandestina, sem qualquer registro sanitário ou comprovação de eficácia médica.
TROCA DE EMBALAGENS NA CIMED E ESCURECIMENTO DE CORTICOIDE NA HYPOFARMA
A engenharia de fiscalização identificou falhas graves em medicamentos de uso diário e hospitalar. No caso da Cimed, uma das maiores fabricantes de genéricos do país, o recolhimento voluntário foi aplicado ao lote 2424299 dos medicamentos de tarja vermelha Atorvastatina cálcica 40 mg e Rosuvastatina 20 mg — ambos amplamente receitados por cardiologistas para o controle rigoroso do colesterol e prevenção de infartos. O laboratório detectou uma mistura indevida de embalagens no fim da linha de produção: cartuchos impressos de Rosuvastatina foram parar dentro de lotes físicos de Atorvastatina. O erro expõe o paciente ao risco gravíssimo de ingerir uma dosagem ou princípio ativo diferente do prescrito pelo médico.
Já no laboratório Hypofarma, o prumo da suspensão atingiu o medicamento Fosfato Dissódico de Dexametasona 4 mg/ml (solução injetável), um corticoide anti-inflamatório esteroide de uso hospitalar contínuo. A empresa acionou o protocolo de recolhimento para o lote 25091566 após testes de estabilidade apontarem um escurecimento da solução líquida quando diluída em associação com certas medicações de suporte. O fenômeno visual é um indicativo técnico de instabilidade e alteração na fórmula, o que invalida a segurança da aplicação intravenosa ou intramuscular.
CAÇA AOS CLANDESTINOS: REMÉDIOS SEM REGISTRO SÃO PROIBIDOS
A segunda frente de atuação da Anvisa mirou a eliminação de riscos provocados pelo charlatanismo e pela venda de promessas terapêuticas sem lastro científico. A agência ordenou a retirada de circulação e a destruição de produtos populares que imitavam medicamentos regulamentados, mas operavam na total clandestinidade de fabricação e faziam propagandas enganosas na internet e em mercados públicos.
Entre as marcas e compostos banidos pela fiscalização federal por ausência de registro sanitário, destacam-se:
Garrafadas e Compostos Populares: Produtos rotulados como Cura Tudo, Anti-álcool, Ki Sinusite/Rinite e Tira Fumo;
Fitoterápicos da Marca Status Verde: Toda a linha de produção, incluindo os compostos rotulados como Anti-Diabetes e Valeriana Composta.
Os fiscais sanitários estaduais e municipais já foram orientados a realizar vistorias e apreensões em farmácias, ervanárias e lojas de produtos naturais para recolher as unidades remanescentes dos lotes afetados. Para os cidadãos que possuem em casa caixas dos lotes da Cimed ou ampolas da Hypofarma citadas no edital, a recomendação é suspender imediatamente o uso e entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) dos fabricantes para providenciar a substituição gratuita dos itens, garantindo que o tratamento de saúde siga o prumo correto da segurança biológica.
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