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Alerta na Zona Leste: A paralisação dos professores particulares que acende o sinal vermelho nas escolas de Teresina
25 de maio de 2026 / 09:21
Foto: Divulgação

Os bastidores da educação privada no Piauí registraram um forte sinalizador de insatisfação na manhã desta segunda-feira (25 de maio). Cerca de 50 professores que atuam na rede particular de ensino de Teresina realizaram um ato público de paralisação e advertência no cruzamento entre as avenidas Raul Lopes e Jóquei Clube, no coração da Zona Leste da capital. A mobilização expõe o tensionamento em torno das discussões da convenção coletiva de trabalho para o biênio 2026/27, tendo como prumo principal a exigência de reajuste salarial com ganho real acima da inflação e o reordenamento das gratificações por qualificação profissional.

Apesar da manifestação de rua e do trânsito lento na região, o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Piauí (Sinepe-PI), Leonardo Airton, apressou-se em informar que o cronograma de aulas nos colégios particulares segue o fluxo de normalidade. O representante patronal destacou que a mesa de negociações direta com a categoria permanece aberta para mitigar os impactos e sanar o impasse.

Gargalo de 30 dias no TRT e o fantasma das perdas acumuladas

O prumo jurídico do conflito passou recentemente pelos corredores da magistratura. Em audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) na última quinta-feira (21 de maio), os sindicatos patronal e laboral firmaram um acordo tático para suspender o dissídio coletivo por um prazo regulamentar de 30 dias, congelando as ações judiciais para dar fôlego ao fechamento da convenção.

Contudo, a base de trabalhadores argumenta que o ritmo das tratativas esbarra na ausência de propostas práticas. O presidente do Sindicato dos Professores e Auxiliares da Administração Escolar do Piauí (Sinpro-PI), Jurandir Soares, esclareceu que o ato desta segunda cumpre o papel de mobilizar a categoria contra um passivo de perdas salariais acumuladas desde o ciclo pandêmico de 2020:

  • Ensino Básico: Defasagem e descompasso salarial estimado em aproximadamente 5% frente aos índices inflacionários;
  • Ensino Superior: Defasagem estrutural que atinge a marca de 10% na tabela de vencimentos;
  • Sobrecarga Extraclasse: Queixas severas de jornadas invisíveis e acúmulo de planejamento de conteúdo, afetando principalmente os docentes da educação infantil e do ensino fundamental.

“A categoria abrange um contingente de aproximadamente 20 mil trabalhadores da educação na rede privada do Piauí. Embora as rodadas de conversa tenham sido inauguradas ainda em fevereiro, o Sinepe até o momento não apresentou uma contraproposta formal por escrito, o que enrijece o movimento”, disparou Jurandir Soares.

Bolsas de estudo, defasagem em mestrados e adoecimento docente

O prumo das reivindicações do Sinpro-PI vai além da recomposição inflacionária linear e toca na proteção à longevidade da carreira docente e no combate ao desgaste de saúde dos profissionais. A pauta engloba a preservação do teto do piso salarial unificado e a imediata devolução do benefício da bolsa de estudos integral para os filhos de professores e auxiliares de administração nas instituições onde lecionam.

Outro ponto de forte desgaste reside no descumprimento do incentivo à titulação acadêmica. A liderança sindical pontuou que os adicionais destinados a profissionais com níveis de mestrado e doutorado enfrentam uma desidratação crônica. Os docentes alegam que, embora o mercado imobiliário e escolar exija qualificação máxima para elevar os índices de aprovação e o prestígio das marcas das escolas, o retorno financeiro é insuficiente. Essa assimetria entre cobrança institucional e remuneração tem atuado como vetor para o adoecimento mental crônico e estresse ocupacional dos profissionais em Teresina.

Com o relógio correndo contra o prazo estipulado pela Justiça do Trabalho, uma nova reunião decisiva entre as comissões de conciliação patronal e laboral foi agendada para o próximo dia 2 de junho. O desfecho do encontro deve selar o rumo da educação privada no estado, definindo se as partes caminham para um acordo de consenso ou se o tabuleiro migrará para uma greve geral de professores em pleno período de avaliações semestrais.

Para acompanhar os desdobramentos dessa negociação, os rumos do mercado de trabalho e as principais notícias sobre educação no Piauí, acesse nossa editoria de Cotidiano.

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