
Mais de um mês após realizar uma visita técnica ao local, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) ainda não concluiu as análises químicas que podem confirmar se o líquido escuro encontrado em um sítio no interior do Ceará é realmente petróleo. O líquido foi encontrado pelo agricultor Sidrônio Moreira enquanto ele perfurava o solo em busca de água, no município de Tabuleiro do Norte (CE). A família notificou a ANP em julho de 2025, e a agência realizou uma inspeção na propriedade em 12 de março de 2026, sete meses depois da notificação. Até o momento, a ANP informou apenas que as análises da amostra ainda não estão concluídas.
O líquido, denso, preto e com odor de combustível, foi descoberto em novembro de 2024 durante a tentativa de perfurar um poço artesiano para abastecimento doméstico, já que a família não possui água encanada. O Instituto Federal do Ceará (IFCE) passou a investigar o material, constando em exames preliminares que o líquido tem características físico-químicas semelhantes às do petróleo proveniente de jazidas próximas no Rio Grande do Norte. Contudo, a confirmação definitiva dependerá da aprovação da ANP.
A ANP orientou que a área permaneça isolada e que os moradores não tenham contato com o material para evitar riscos ambientais e à saúde. Além disso, nenhum acesso ao poço pode acontecer enquanto se aguarda o resultado das análises. A família de Sidrônio continua enfrentando dificuldades com o acesso à água e, recentemente, voltou a receber água de uma adutora antiga da cidade, que teve a vazão reforçada após a repercussão do caso.
Quanto à propriedade do possível petróleo, a Constituição Federal estabelece que o subsolo e seus recursos pertencem à União. Portanto, o agricultor não será proprietário do líquido encontrado, mas poderá receber um percentual financeiro caso a região seja explorada comercialmente no futuro. A agência precisa ainda avaliar a viabilidade de exploração, já que achados pequenos anteriormente foram descartados.
A ANP explicou que a profundidade rasa de 40 metros onde o líquido surgiu surpreende os técnicos, pois normalmente petróleo é encontrado em profundidades maiores. O instituto recolheu amostras feitas pelo IFCE, que serão submetidas a exames especializados para verificar a composição exata do material e confirmar sua origem geológica. A Universidade Federal do Ceará também está realizando análises complementares.
Enquanto a análise profissional está em andamento, a agência recomenda o isolamento da área e não permite que outras amostras sejam coletadas. Ainda não há previsão para a divulgação do resultado final, que dependerá da complexidade dos procedimentos laboratoriais.
No cotidiano, Sidrônio e sua família seguem vivendo sem acesso regular à água encanada, dependentes da adutora, carros-pipa e água mineral para seu consumo. Ele afirma que seu interesse principal é resolver os problemas de água e não obter riqueza com a descoberta, ressaltando a importância da transparência sobre o que de fato foi encontrado. O caso segue despertando atenção e expectativa quanto aos próximos passos da ANP na confirmação do petróleo no Ceará.