João Pessoa 31.13 nublado Recife 31.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nublado Maceió 31.69 nuvens dispersas Salvador 29.98 nublado Fortaleza 31.07 nuvens dispersas São Luís 31.11 chuva leve Teresina 32.84 nuvens dispersas Aracaju 31.97 algumas nuvens
publicidade
Conflito no Oriente Médio eleva custo de fertilizantes e afeta agronegócio brasileiro
20 de abril de 2026 / 17:29
Foto: Divulgação

A intensificação das tensões no Oriente Médio está gerando efeitos que vão muito além do setor energético, atingindo diretamente o agronegócio global e, de forma especialmente sensível, países dependentes de importações como o Brasil. Um dos principais impactos já observados é a elevação nos preços dos fertilizantes, insumos fundamentais para a produção agrícola.

A região em conflito concentra cerca de 20% da oferta mundial de produtos químicos essenciais, como ureia, amônia e enxofre. Além disso, países do Golfo Pérsico possuem vantagem competitiva na produção de fertilizantes nitrogenados devido à abundância de gás natural, matéria-prima indispensável nesse processo. Com a instabilidade geopolítica, a produção e o escoamento desses insumos ficam comprometidos, pressionando os preços no mercado internacional.

Um ponto crítico é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e derivados. Qualquer interrupção ou risco nessa região impacta diretamente a logística global, encarecendo fretes e dificultando o fornecimento de matérias-primas para a indústria de fertilizantes.

No caso brasileiro, a dependência externa agrava o cenário. Entre 85% e 90% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor agrícola altamente vulnerável às oscilações internacionais. Com a aproximação do período de compra de insumos para a próxima safra, os produtores já começam a sentir os efeitos dessa alta, que tende a se intensificar nos próximos meses.

O aumento dos custos de produção não é necessariamente acompanhado pela valorização das commodities agrícolas, o que reduz as margens de lucro dos produtores. Culturas como o milho, que demandam maior volume de fertilizantes, são particularmente afetadas, registrando perda no poder de compra dos agricultores diante do encarecimento dos insumos.

A tentativa de buscar fornecedores alternativos encontra obstáculos em um mercado global mais restrito. Países exportadores têm priorizado o abastecimento interno, limitando suas vendas externas. Um exemplo relevante é a China, que reduziu suas exportações de fertilizantes, contribuindo para a diminuição da oferta global e pressionando ainda mais os preços.

Mesmo que haja uma eventual redução das tensões no Oriente Médio, os efeitos não devem desaparecer rapidamente. Danos à infraestrutura produtiva, somados a gargalos logísticos, dificultam uma normalização imediata do abastecimento. Como consequência, o impacto tende a se prolongar ao longo das próximas safras.

Esse cenário também levanta preocupações em relação à inflação dos alimentos. Com custos mais elevados no campo, é comum que parte dessa pressão seja repassada ao consumidor final, resultando em preços mais altos nos supermercados. Assim, o conflito geopolítico, ainda que distante, acaba influenciando diretamente o cotidiano da população, evidenciando o quanto o agronegócio está conectado às dinâmicas globais.

publicidade
Copyright © 2025. Direitos Reservados.