
O mercado brasileiro de vinhos e espumantes encerrou 2025 com um desempenho expressivo, atingindo um faturamento de R$ 21,1 bilhões — um crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior. Esse avanço reforça a consolidação do setor no país, mesmo diante de um cenário internacional em que o consumo tende à estabilidade em mercados mais tradicionais.
Um dos principais destaques desse movimento é a ascensão do Nordeste como uma nova fronteira estratégica para o consumo e também para a produção de vinhos. A região vem ganhando protagonismo graças a uma combinação de fatores, como o fortalecimento do turismo, a valorização da gastronomia local e uma mudança no perfil dos consumidores, que estão cada vez mais abertos a experimentar novos estilos, especialmente vinhos brancos, rosés e espumantes.
De acordo com Marcos Milanez, diretor da Wine South America, o Nordeste passou a ocupar um papel central no radar de produtores, distribuidores e investidores. Isso se deve não apenas ao aumento do consumo, mas também às condições climáticas favoráveis à produção de vinhos diferenciados — algo que foge do padrão tradicional das regiões mais frias do Sul do país.
Enquanto o consumo global de vinho mostra sinais de desaceleração, o Brasil segue na contramão, com crescimento sustentado. Esse avanço tem sido impulsionado principalmente pelo aumento do tíquete médio: os consumidores estão comprando menos volume em alguns casos, mas optando por rótulos de maior valor agregado, indicando uma maturidade crescente do mercado.
Entre os produtos em evidência, os espumantes se destacam com mais de 40 milhões de litros comercializados. Antes associados principalmente a celebrações, eles passaram a fazer parte do consumo cotidiano, ampliando sua presença em diferentes ocasiões. Ainda assim, o consumo per capita no Brasil permanece relativamente baixo, em torno de 2,7 litros por ano, o que evidencia um amplo espaço para expansão.
No Nordeste, esse crescimento está diretamente ligado à integração entre vinho, turismo e experiências gastronômicas. Restaurantes, hotéis e roteiros turísticos têm incorporado cada vez mais o vinho em suas ofertas, criando oportunidades para o público conhecer e consumir a bebida de forma mais acessível e envolvente.
A produção regional também vem ganhando força, especialmente no Vale do São Francisco, que abrange áreas de Pernambuco e Bahia. A região é reconhecida por seu terroir singular, que permite até mais de uma colheita por ano — algo raro no mundo do vinho. Vinícolas como Vinícola Rio Sol e Vinícola Bianchetti ajudam a consolidar esse polo produtivo.
Outros estados nordestinos, como Sergipe e Paraíba, também têm investido na produção de vinhos finos, utilizando uvas como Syrah, Malbec, Tannat e Touriga Nacional. Esse movimento contribui para diversificar a produção nacional e posicionar o Nordeste como uma região promissora no cenário vitivinícola brasileiro.
O avanço da produção acompanha o crescimento do enoturismo, com destinos como a Chapada Diamantina oferecendo experiências que incluem visitas a vinícolas, degustações e vivências imersivas no universo dos vinhos.
Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta desafios importantes, como a elevada carga tributária sobre o vinho nacional, que dificulta sua competitividade frente aos produtos importados. Ainda assim, as perspectivas são otimistas.
A próxima edição da Wine South America, que acontecerá entre 12 e 14 de maio em Bento Gonçalves, deve reunir mais de 400 marcas nacionais e internacionais. O evento será uma oportunidade para discutir tendências, fortalecer conexões e analisar os rumos de um mercado que segue em expansão — com o Nordeste cada vez mais consolidado como peça-chave para o futuro do vinho no Brasil.