
O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu o maior patamar da série histórica em março de 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% das famílias estavam com dívidas, representando um crescimento em relação a fevereiro, que registrou 80,2%, e a março de 2025, com 77,1%.
Esse aumento constante no número de endividados e inadimplentes chama a atenção para os fatores que levaram a esse cenário preocupante. O professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Cássio Besarria, destaca que a combinação da alta da inflação nos últimos anos, o maior uso do crédito para suprir a renda mensal, taxas de juros elevadas e reajustes salariais mais lentos contribuem diretamente para o crescimento do endividamento no Brasil.
Um dos principais vilões nesse contexto é o cartão de crédito, especialmente o crédito rotativo, que possui uma taxa de juros média anual de 436%, segundo dados do Banco Central em fevereiro. Este tipo de crédito financia o valor da fatura não pago até a data do vencimento, acumulando juros que podem aumentar consideravelmente a dívida do consumidor.
A Lei do Desenrola Brasil, sancionada em 2023, limitou os juros do crédito rotativo e do parcelamento da fatura, estabelecendo que a dívida total não pode ultrapassar 100% do valor original. Contudo, o professor Cássio alerta que o aumento no uso do crédito eleva a parcela da renda comprometida com dívidas e pode resultar em inadimplência, afetando o consumo, a geração de empregos e a arrecadação fiscal.
Além dos cartões, muitas famílias recorrem a empréstimos para complementar o orçamento diante do aumento dos preços. Na Sicredi Evolução, instituição financeira cooperativa do Nordeste, houve um crescimento de 13% no número de clientes endividados, índice abaixo da média do mercado. A instituição investe em educação financeira e análise cuidadosa das necessidades de crédito para garantir crescimento sustentável para clientes e economia local.
Especialistas destacam que é fundamental que os consumidores adotem medidas como renegociação das dívidas e planejamento financeiro para sair dessa situação. A Serasa oferece ferramentas e descontos de até 90% para facilitar a regularização dessas pendências.
O Governo Federal está desenvolvendo uma nova etapa do programa de renegociação Desenrola Brasil, buscando reduzir a inadimplência e facilitar o acesso ao crédito. Entre as propostas está a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento de dívidas, estimada em cerca de R$ 7 bilhões, além de possíveis restrições ao uso de sites de apostas para diminuir o comprometimento da renda das famílias.