
O estoque da Dívida Pública Federal apresentou uma redução de 2,34% em março, ao comparar com o mês anterior, passando de R$ 8,841 trilhões para R$ 8,633 trilhões, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional na segunda-feira, 27 de março. Essa queda foi impulsionada principalmente por um resgate líquido de R$ 305,386 bilhões, parcialmente compensado pela apropriação positiva de juros, que somou R$ 98,080 bilhões no período.
A diminuição do estoque concentrou-se na Dívida Pública Mobiliária Federal interna, que recuou 2,46%, fechando o mês em R$ 8,302 trilhões. Por outro lado, a Dívida Pública Federal externa apresentou uma leve alta de 0,61%, atingindo R$ 331,64 bilhões, resultado de variações cambiais e da dinâmica dos títulos emitidos no exterior.
No que diz respeito à composição da dívida pública, os títulos vinculados à taxa básica de juros (Selic) diminuíram sua participação de 49,10% em fevereiro para 47,71% em março, mantendo-se dentro da faixa prevista pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026, que estipula entre 46% e 50%. Os títulos prefixados tiveram um aumento de 21,33% para 21,80%, ainda dentro da margem projetada de 21% a 25%. Já os papéis indexados à inflação passaram de 25,85% para 26,67%, e os títulos cambiais subiram de 3,71% para 3,83%, mantendo-se abaixo do limite máximo de 7% estabelecido pelo plano.
O percentual da dívida com vencimento em até 12 meses cresceu de 16,65% para 19,52%, aproximando-se do centro da faixa esperada pelo PAF, que varia entre 18% e 22%. Além disso, o prazo médio da dívida aumentou de 4,0 para 4,10 anos, continuando alinhado com a meta de alongamento do Tesouro para 2026, definida entre 3,8 e 4,2 anos.
Embora o estoque total da dívida tenha recuado, o custo médio acumulado da Dívida Pública Federal em 12 meses subiu de 11,90% ao ano em fevereiro para 12,20% ao ano em março. Esse aumento reflete o cenário de juros elevados e a composição dos títulos emitidos, que influencia diretamente o custo de financiamento do setor público.
A trajetória da dívida pública é um importante indicador para investidores e agentes econômicos, pois impacta a percepção de risco fiscal, o custo de financiamento do governo e as taxas de juros de longo prazo. Apesar da queda do estoque em março, o mercado continuará atento à evolução do custo médio e à composição dos vencimentos da dívida nos próximos meses.