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Sudene propõe nova métrica para cálculo do PIB no Nordeste
28 de abril de 2026 / 20:03
Foto: Divulgação

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) iniciou um processo de articulação com governos estaduais para criar uma nova metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste que leve em conta as particularidades da economia regional atualmente não refletidas pelos métodos tradicionais. O primeiro encontro aconteceu em 28 de abril com representantes da Secretaria de Planejamento de Pernambuco, com a previsão de expandir o diálogo para outros estados nordestinos e instituições públicas responsáveis pela produção de dados estatísticos. A expectativa é apresentar os resultados iniciais em até um ano, fortalecendo também a plataforma Data Nordeste, que centraliza informações da região.

Essa iniciativa é fundamentada em um estudo inédito realizado pela Sudene em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), divulgado em 24 de fevereiro, que analisou o impacto do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) sobre o emprego, a renda e o PIB nos municípios beneficiados entre 2008 e 2023. A pesquisa revelou que os municípios com empreendimentos financiados pelo fundo apresentaram um aumento médio de 24% no PIB per capita, com um retorno de R$ 32 para cada R$ 1 investido. O impacto econômico estimado variou entre R$ 40,2 bilhões e R$ 145,8 bilhões no período, valor que, segundo a Sudene, é subestimado pelas metodologias convencionais de cálculo do PIB.

De acordo com Gabriela Isabel, doutora em Estatística e técnica da unidade de Estudos e Pesquisas da Sudene, o mérito do estudo está em focar no impacto real nas áreas sensíveis, como mortalidade infantil e desempenho escolar, e não apenas no aumento dos gastos ou do PIB.

O que os modelos atuais não refletem no PIB

A proposta da nova metodologia reconhece que setores que vêm crescendo no Nordeste, como as energias renováveis, a economia criativa e cadeias produtivas ligadas à bioeconomia, não são adequadamente captados pelas estatísticas regionais atuais. José Farias, coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, afirmou que o cálculo atual, embora eficaz para uma visão geral, precisa ser complementado por um modelo que incorpore as especificidades da economia do Nordeste para uma leitura mais precisa de seu dinamismo.

Segundo dados das Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Nordeste representou 14,7% do PIB nacional em 2023, com comércio e serviços respondendo por 64% da economia regional, indústria 15% e agropecuária 11,5%. Entre 2002 e 2023, o PIB do Nordeste teve um crescimento médio anual de 2,4%, e para 2024, os estados nordestinos lideram as maiores taxas de crescimento do país, conforme dados da Sudene.

Farias acrescenta que a falta de um modelo que considere os setores emergentes limita a compreensão do verdadeiro potencial econômico da região, e que uma mensuração mais adequada permitirá à Sudene planejar políticas públicas com maior precisão.

Articulação entre estados e próximos passos

No encontro com a equipe técnica de Pernambuco, foram discutidas metodologias e estratégias para estabelecer critérios uniformes de mensuração entre os estados e definir quais atividades econômicas devem ser prioritárias no estudo. A iniciativa pretende envolver todos os governos estaduais nordestinos nos próximos meses para avançar na construção da nova métrica.

Um exemplo do impacto que uma mensuração precisa pode revelar está em Goiana, Pernambuco, onde o PIB per capita municipal saltou de R$ 13,3 mil em 2010 para R$ 279 mil em 2021, um crescimento superior a 2.000%, resultado dos investimentos do FDNE para instalar o polo automotivo. A indústria passou a representar 48,1% do PIB local, colocando a cidade entre as cem com maior produção industrial do país.

Heitor Freire, diretor de gestão de Fundos, Incentivos e Atração de Investimentos da Sudene, destaca que esses resultados demonstram o papel estruturante do FDNE na geração de renda e emprego, além de ajudar a identificar onde aprimorar critérios e monitoramento para aumentar a eficiência do fundo.

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