
Em relatório divulgado na última segunda-feira (20), a Fitch Ratings, uma das principais agências internacionais de classificação de risco de crédito, indicou uma previsão de deterioração do risco de crédito nos Estados Unidos para o primeiro trimestre de 2026. Essa projeção está fundamentada nos desdobramentos do conflito no Irã, que influencia diretamente o mercado global de petróleo, além das possíveis disrupções no setor de tecnologia.
A agência alerta que o estresse financeiro poderá afetar empresas em desenvolvimento e obrigações de empréstimos garantidos, exigindo um monitoramento rigoroso apesar das proteções atuais serem consideradas suficientes. O cenário de um conflito prolongado pode desencadear efeitos macroeconômicos negativos, como inflação mais alta, redução salarial, condições financeiras mais restritivas e queda na demanda doméstica.
Os impactos do preço do petróleo são um dos fatores-chave para a revisão da classificação de crédito dos EUA. A Fitch considera um preço médio de US$ 100 por barril em 2026, o que reduziria a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano para 1,5%, cerca de 0,7 ponto percentual abaixo da projeção inicial. A maior adversidade estaria prevista para o quarto trimestre de 2026, com crescimento estimado caindo para 0,6%, frente a uma expectativa anterior de 1,8%.
No que diz respeito ao mercado tecnológico, a disrupção causada por ferramentas de Inteligência Artificial (IA) afeta o crédito corporativo, os mercados privados e as finanças estruturadas. O documento da Fitch também destaca uma contenção nas taxas de inadimplência no curto prazo, mas chama atenção para o aumento dos riscos de refinanciamento, especialmente considerando que muitos vencimentos de dívidas de tomadores alavancados estão concentrados entre 2028 e 2031.
Além disso, o relatório ressalta a importância dos investimentos em infraestrutura de IA para sustentar o investimento fixo privado e a atividade nos mercados de capitais, apontando para a relevância contínua desse setor para a economia americana.