
O avanço de endemias sazonais no interior do Nordeste acendeu um sinal de alerta vermelho para as autoridades de saúde pública e vigilância epidemiológica do Maranhão. A cidade de Imperatriz, polo econômico localizado a cerca de 626 km da capital São Luís, notificou oficialmente o registro de seis casos de leishmaniose visceral — popularmente conhecida como calazar — em seres humanos. Paralelamente ao diagnóstico na população, os exames laboratoriais confirmaram uma dispersão agressiva do parasita no ecossistema urbano, identificando 552 cães infectados com a doença na mesma região. O cenário mobilizou equipes da Vigilância em Zoonoses, que deflagraram uma força-tarefa de triagem nos bairros com maior densidade de notificações para tentar frear a curva de contágio.
A engenharia de monitoramento das equipes de campo identificou que, ao longo dos últimos seis meses, o mapa do calazar em Imperatriz concentrou-se de forma crítica em quinze bairros específicos. A coordenação do programa realiza um acompanhamento contínuo e georreferenciado nessas localidades, estendendo o cerco sanitário para o monitoramento de cães em situação de rua, considerados vetores biológicos de alta vulnerabilidade para a propagação rápida do parasita. O coordenador da Vigilância em Saúde do município, Paulo Soares, detalhou a estratégia de bloqueio: “Nos perímetros urbanos onde já houve a confirmação de registros em humanos, nossa equipe de vetores realiza exames de varredura em todos os cães da região, aumentando o rigor do controle periférico e a prevenção primária”.
SINTOMAS HUMANOS EXIGEM DIAGNÓSTICO RÁPIDO PARA EVITAR ÓBITOS
A leishmaniose visceral é uma doença sistêmica grave que, se não for tratada a tempo, apresenta altíssimo índice de letalidade em humanos. O parasita ataca diretamente os órgãos internos e o sistema imunológico do paciente. Os principais sintomas clínicos que exigem atenção imediata e busca por atendimento na rede pública de saúde compreendem:
- Febre Prolongada: Quadros febris resistentes que se estendem por semanas;
- Alterações Físicas: Perda de peso acentuada, cansaço extremo e anemia profunda;
- Comprometimento Abdominal: Aumento do volume do fígado e do baço (hepatosplenomegalia).
Diferentemente do que ocorre no organismo humano — onde a leishmaniose tem cura completa através de protocolos de medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) —, o calazar não tem cura biológica para os caninos. Embora existam tratamentos veterinários modernos autorizados para reduzir a carga parasitária e dar qualidade de vida ao animal, muitos tutores de baixa renda acabam optando pela eutanásia após o diagnóstico confirmatório, que exige a combinação positiva do teste rápido de triagem e do exame laboratorial ELISA.
O PAPEL DO MOSQUITO-PALHA E AS MEDIDAS DE PREVENÇÃO EM CASA
O comitê de medicina veterinária da região reforça um ponto crucial de esclarecimento público para evitar o pânico e o abandono de animais: o cão infectado não transmite o calazar diretamente para o ser humano por meio de mordidas, lambidas ou contato físico. A contaminação exige, obrigatoriamente, a presença do vetor mecânico: o Lutzomyia longipalpis, conhecido popularmente como mosquito-palha ou birigui. O inseto pica o animal doente, contrai o parasita e, posteriormente, injeta a leishmânia na corrente sanguínea do homem.
Por essa razão, o prumo das indicações de prevenção sanitária da Zoonoses foca na eliminação dos criadouros do mosquito — que se prolifera em locais com acúmulo de matéria orgânica em decomposição, como folhas secas, frutas apodrecidas no quintal e fezes de animais. Para blindar os animais de estimação dentro das residências, os veterinários recomendam a aplicação de repelentes borrifáveis, banhos com shampoos específicos de proteção e, principalmente, o uso contínuo de coleiras impregnadas com inseticidas (deltametrina), que afastam o mosquito-palha e cortam o elo de transmissão da endemia no ambiente familiar.
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