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Liderança feminina das mães de santo fortalece tradições nos terreiros
10 de maio de 2026 / 13:15
Foto: Divulgação

As mães de santo desempenham papel essencial de acolhimento e liderança espiritual nas religiões de matriz africana. Conhecidas por serem figuras maternas dentro dos terreiros, elas acompanham e orientam seus “filhos de santo”, consolidando-se como referências importantes para suas comunidades. Neste domingo, 9 de maio, Dia das Mães, essas lideranças femininas ganham destaque especial por sua função de formação e suporte nas casas de axé, onde seus papéis e responsabilidades variam conforme seu cargo.

No terreiro Roça Oxaguiã Oxum Iponda, localizado no bairro do Córrego do Jenipapo, em Recife, Larissa de Oxum exemplifica bem esse impacto. Iyapetebí, ela cuida do acolhimento, proteção e apoio diário dos afilhados, reforçando a presença constante de uma figura feminina de orientação. Larissa destaca que sua ligação com Oxum lhe ensina sobre a força feminina e a importância da união com a ancestralidade para enfrentar as dificuldades da vida.

A predominância feminina na estrutura do terreiro é clara, como explica Mércia Gadelha, filha da casa. A organização segue uma dinâmica familiar tradicional com mães, pais e madrinhas. As lideranças femininas recebem títulos derivados do termo iorubá “Iyá” ou “Yá”, que significa “mãe” e simboliza autoridade e respeito. As responsáveis pela alimentação, chamadas iabassê, são conhecidas como as “cozinheiras dos orixás”, e as iyaegbé atuam como conselheiras principais dos líderes espirituais, cuidando da comunicação e assuntos sociais.

Mércia relata sua trajetória na casa: depois de anos como irmã mais velha, evoluiu para yá, representando prestígio e responsabilidade. Segundo Júnior de Ajagunã, babalorixá do terreiro, as mulheres são pilares da força espiritual e da estrutura interna, especialmente por sua conexão com as yabás – orixás femininas que protegem. Ele ressalta que, sem as mulheres dentro do culto, não há axé positivo.

Essa valorização da liderança feminina reforça não apenas as tradições, mas também o papel das mães de santo como guardiãs do acolhimento, da cultura e da espiritualidade nas religiões de matriz africana, celebradas especialmente no Dia das Mães.

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