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Mudanças climáticas e poluição reduzem tamanho dos mariscos em Pernambuco
19 de abril de 2026 / 11:53
Foto: Divulgação

Os mariscos, amplamente apreciados na culinária nordestina e fundamentais para a subsistência de diversas comunidades pesqueiras, estão apresentando uma redução significativa de tamanho no litoral de Pernambuco. Esse fenômeno, observado há alguns anos por moradores locais, vem sendo confirmado por estudos científicos e acende um alerta sobre os impactos ambientais na região.

Pesquisas conduzidas por especialistas da Universidade Federal de Pernambuco indicam que esse “encolhimento” está diretamente relacionado às mudanças climáticas e à poluição ambiental. A oceanógrafa Fiamma Abreu explica que o aumento da temperatura da água e a diminuição do pH — processo conhecido como acidificação dos oceanos — têm afetado diretamente os habitats aquáticos. Essas mudanças tornam o ambiente mais hostil para organismos como mariscos e outros moluscos.

Um dos principais efeitos desse cenário é o enfraquecimento das conchas desses animais. Formadas por carbonato de cálcio, elas se tornam mais finas e frágeis em ambientes mais ácidos, deixando os mariscos mais vulneráveis. Além disso, a energia que antes seria utilizada para o crescimento passa a ser direcionada para a sobrevivência, resultando em indivíduos menores.

Outro fator crítico é a poluição. Atividades industriais, queima de combustíveis e o intenso tráfego de embarcações contribuem para a contaminação da água. Estudos identificaram a presença de resíduos oleosos provenientes de diversas fontes, incluindo a combustão associada à cana-de-açúcar e o transporte marítimo. Essa mistura de poluentes compromete não apenas a estrutura física dos mariscos, mas também seus processos reprodutivos, reduzindo a população ao longo do tempo.

Os impactos são sentidos diretamente pelas comunidades que dependem dessa atividade. Em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, pescadores e marisqueiras relatam dificuldades crescentes na coleta. Na Praia de Mangue Seco, a diminuição no tamanho e na quantidade dos mariscos tem afetado a renda e a segurança alimentar local.

A líder comunitária Valma Ramalho destaca que a situação vem piorando ao longo dos anos. Segundo ela, há diferenças claras na produção entre períodos do ano, especialmente entre o verão e a estação chuvosa, o que evidencia a influência das condições ambientais sobre a atividade.

Diante desse cenário preocupante, especialistas defendem ações mais rigorosas por parte do poder público. Entre as principais medidas estão o aumento da fiscalização ambiental, o controle de despejos industriais e a ampliação do tratamento de efluentes antes de serem lançados nos corpos d’água.

A preservação dos mariscos vai além da questão ambiental: trata-se também de proteger modos de vida tradicionais e garantir a sustentabilidade econômica de comunidades inteiras. Sem intervenções eficazes, a tendência é de agravamento do problema, com consequências cada vez mais amplas para o ecossistema e para a população local.

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