
O Instituto Banese e o Museu da Gente Sergipana Governador Marcelo Déda, localizados no coração de Aracaju, estruturaram uma densa e diversificada agenda de atividades integradas para celebrar a 24ª Semana Nacional de Museus. Alinhado ao tema nacional deste ano — “Museus unindo um mundo dividido” —, o complexo cultural abre suas portas a partir desta terça-feira, dia 19 de maio, para uma jornada que funde oficinas pedagógicas infantis, exibições de cinema documental, espetáculos teatrais, mostras de economia criativa e shows musicais de forte identidade regional.
A abertura da semana comemorativa foca na formação de novas plateias e no estímulo à expressão artística das crianças da capital sergipana. Na terça (19) e na quarta-feira (20), sempre a partir das 14h30, o museu sedia as oficinas práticas “Colorindo o Museu” e “Narrativas em Cores”. Os encontros lúdicos serão coordenados pelo arte-educador Eddye Matheus Ramos e têm como público-alvo prioritário crianças com idades entre 5 e 12 anos, utilizando o acervo imaterial do próprio museu como inspiração para a criação visual e contação de histórias.
Cinema, memória sindical e as bases da cultura hip-hop
O prumo da programação assume um contorno de resgate histórico e homenagem na tarde de quinta-feira, dia 21 de maio. Às 14h, o auditório do museu recebe o lançamento oficial do documentário “Contra Todas as Forças que Nos Oprimem – CTFO”. A obra audiovisual reconstitui a trajetória biográfica e o legado político e estético de Antônio da Cruz, figura central das artes plásticas e destacado líder sindical de Sergipe. Após a exibição do filme, o público poderá acompanhar um pocket show ao vivo apresentando a trilha sonora original do projeto.
Na sexta-feira, dia 22 de maio, às 14h30, os holofotes se voltam para as manifestações artísticas que pulsam nas periferias e nos centros urbanos. O B-boy Anderson BDLO comanda a oficina “Arte que Move: Fundamentos do Breaking”, uma imersão técnica e histórica voltada para os passos, a filosofia e a valorização da dança de rua, ritmo que recentemente ganhou status de modalidade esportiva internacional e que possui forte representatividade na juventude aracajuana.
Sábado de festival: economia criativa e o fole da Xodó da Vila
O encerramento e ponto alto da Semana Nacional de Museus em Aracaju ocorre no sábado, dia 23 de maio, com a execução do Festival Museu é Rua, que ocupará as áreas internas e o entorno do prédio histórico a partir das 10h da manhã. O evento congregará uma feira de economia criativa, artesanato e gastronomia regional, além de palcos abertos para intervenções teatrais e batalhas de poesia falada (slams). Para quem perdeu a exibição no meio da semana, o documentário CTFO ganhará uma nova sessão especial de projeção durante o festival.
A chegada da noite de sábado trará o cheiro de milho assado e o som do triângulo e da sanfona para o pátio. A partir das 18h, o público assistirá à apresentação coreográfica da tradicional Quadrilha Junina Xodó da Vila, esquentando os pandeiros para os festejos de São João que se aproximam. Na sequência, a cantora Jaque Barroso sobe ao palco principal para fechar a noite com um show musical recheado de ritmos afro-nordestinos. Todas as atividades promovidas reforçam o papel do Museu da Gente Sergipana não apenas como um depósito de memórias, mas como um centro dinâmico de produção cultural viva e inclusiva no Nordeste.
Quando o museu resolve abrir as portas e proclamar que a rua também é sua casa, a cultura popular de Sergipe faz a festa e ganha o prumo que merece. Ver as salas de Aracaju se encherem de meninos pintando o mundo, enquanto o cinema conta a história de luta de Antônio da Cruz e o povo da dança risca o chão com o breaking, é a prova de que a nossa memória não é poeira guardada em caixa de vidro. No sábado, quando a feira criativa se espalhar e a Quadrilha Xodó da Vila botar o pé no terreiro para saudar São João ao som de Jaque Barroso, o povo vai entender que museu de verdade é aquele que pulsa junto com o coração da gente, unindo o passado de respeito com a beleza viva que a nossa gente cria todo dia.
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