João Pessoa 31.13 nublado Recife 31.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nublado Maceió 31.69 nuvens dispersas Salvador 29.98 nublado Fortaleza 31.07 nuvens dispersas São Luís 31.11 chuva leve Teresina 32.84 nuvens dispersas Aracaju 31.97 algumas nuvens
publicidade
Nova terapia brasileira com células-tronco anima pacientes transplantados
25 de maio de 2026 / 19:10
Foto: Divulgação

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) estão desenvolvendo uma terapia avançada com células-tronco para combater uma das complicações mais graves enfrentadas por pacientes que realizam transplante de medula óssea.

A doença, conhecida como DECH (Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro), acontece quando as células transplantadas passam a atacar o organismo do próprio paciente, gerando uma reação imunológica que pode atingir:

  • pele;
  • intestino;
  • fígado;
  • pulmões;
  • articulações.

Nos casos mais graves, a condição pode levar à morte.

A nova terapia experimental recebeu o nome de MesenCell e utiliza células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores. Essas células são processadas em laboratório e armazenadas até o momento do tratamento.

O objetivo é controlar a reação imunológica responsável pela doença.

Terapia busca agir diretamente na inflamação do organismo

Hoje, o tratamento mais utilizado contra a DECH envolve corticosteroides para tentar reduzir a inflamação.

O problema é que muitos pacientes:

  • não respondem aos medicamentos;
  • desenvolvem resistência;
  • ou sofrem efeitos colaterais severos.

A proposta da nova terapia é diferente.

Segundo a coordenadora do projeto, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, o tratamento atua diretamente na resposta imunológica que provoca a doença.

“A terapia consegue modular o sistema imunológico e reduzir a inflamação causada pelas células que atacam o organismo.”

As células-tronco utilizadas ajudam a diminuir a ação das chamadas células T e B, que participam da reação imunológica responsável pela DECH.

A doença pode surgir:

  • nos primeiros 100 dias após o transplante;
  • ou até anos depois.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • vermelhidão na pele;
  • ardência;
  • náuseas;
  • cólicas;
  • dificuldade respiratória;
  • endurecimento da pele;
  • perda de mobilidade.

Resultados iniciais animam pesquisadores brasileiros

Os primeiros resultados do estudo chamaram atenção da equipe médica.

Em um estudo-piloto com 11 pacientes:

  • metade apresentou remissão completa da doença;
  • houve melhora de 75% nos sintomas gastrointestinais;
  • casos de comprometimento da pele tiveram melhora total.

Os pesquisadores também observaram reversão da esclerodermia, condição que provoca endurecimento da pele e limitação dos movimentos.

A próxima etapa da pesquisa começará em setembro e contará com 20 pacientes em três hospitais do Paraná:

  • Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná;
  • Hospital Erasto Gaertner;
  • Hospital Nossa Senhora das Graças.

O projeto possui financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os pesquisadores esperam, futuramente, ampliar a produção da terapia em parceria com a indústria farmacêutica.

A iniciativa reforça o avanço da ciência brasileira em áreas de alta complexidade médica e mostra como pesquisas nacionais começam a abrir novos caminhos para tratamentos considerados extremamente difíceis.

Para acompanhar mais notícias sobre saúde, ciência e inovação médica, acesse a editoria de Saúde.

publicidade
Copyright © 2025. Direitos Reservados.