
Em março, o governo federal registrou o maior déficit primário da série histórica para este mês, com um resultado negativo de R$ 73,783 bilhões, conforme dados do Tesouro Nacional. Esse resultado foi fortemente influenciado pela antecipação do pagamento de precatórios, que são despesas judiciais definitivas da União, elevando consideravelmente os gastos no período.
Essa situação representa uma piora significativa em comparação com março de 2025, quando as contas públicas apresentaram superávit de R$ 1,527 bilhão.
Despesas superam arrecadação
As despesas totais do governo central em março somaram R$ 269,881 bilhões, um crescimento real de 49,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já a receita líquida alcançou R$ 196,1 bilhões, com aumento real de 7,5%. Apesar da elevação na arrecadação, ela não foi suficiente para equilibrar o aumento dos gastos, o que ampliou o desequilíbrio fiscal.
Dentre as principais pressões orçamentárias, destacam-se: sentenças judiciais e precatórios no valor de R$ 34,903 bilhões; benefícios previdenciários totalizando R$ 28,615 bilhões, dos quais R$ 23,982 bilhões referem-se a precatórios; e gastos com pessoal e encargos sociais somando R$ 11,258 bilhões, incluindo R$ 8,786 bilhões em pagamentos judiciais. O Tesouro Nacional aponta que a concentração destes pagamentos em março explica grande parte da piora nas contas públicas.
Receitas tributárias crescem, mas não compensam déficit
As receitas do governo melhoraram, principalmente devido à tributação relacionada à atividade econômica e a medidas fiscais recentes. Entre os principais destaques estão o acréscimo de R$ 2,8 bilhões no IOF, aumento de R$ 2,3 bilhões no Imposto de Importação e Imposto de Renda, além de crescimentos de R$ 1,4 bilhão na CSLL e de R$ 1,5 bilhão na Cofins. Contudo, mesmo com essa melhora, o peso extraordinário do pagamento de precatórios em março neutralizou os efeitos positivos da arrecadação.
Déficit no primeiro trimestre atinge R$ 17,1 bilhões
No acumulado entre janeiro e março, o governo central registrou déficit primário de R$ 17,085 bilhões, revertendo o superávit de R$ 54,993 bilhões do mesmo período de 2025. A receita líquida totalizou R$ 626,4 bilhões, aumento real de 4,2%, enquanto as despesas chegaram a R$ 643,5 bilhões, crescimento real de 23,3%. Esse resultado foi parcialmente compensado pelo superávit expressivo registrado em janeiro, tradicionalmente um mês com sazonalidade positiva na arrecadação.
Investimentos públicos apresentam forte crescimento
Os investimentos federais tiveram uma alta expressiva em março, somando R$ 14,8 bilhões, o que representa um aumento real de 323,9%. No acumulado do ano, os investimentos atingiram R$ 24,4 bilhões, com crescimento real de 146,4%, sinalizando uma maior execução orçamentária e volume ampliado de despesas discricionárias no início de 2026.
Desafios da meta fiscal para 2026
A meta fiscal para este ano prevê um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, com margem para resultados entre zero e R$ 68,6 bilhões positivos. Ainda assim, o governo projeta um déficit efetivo de R$ 59,8 bilhões para 2026, mesmo considerando exclusões permitidas no cálculo fiscal, como parte dos gastos vinculados a precatórios.