
O maior torneio de futebol de várzea do planeta está prestes a começar e traz uma evolução histórica em sua engenharia de inclusão social. A Prefeitura do Recife, sob a coordenação operacional da Secretaria de Esportes, anunciou a abertura das inscrições para a edição de 2026 do tradicional “Recife Bom de Bola”. A grande novidade deste ano é o lançamento de uma categoria inédita de futsal voltada especificamente para atletas neurodivergentes. As equipes interessadas em participar da competição têm até o dia 31 de maio de 2026 para consolidar o cadastro de seus elencos, realizado de forma exclusivamente digital através do portal eletrônico oficial do evento.
A criação desta vertente esportiva busca democratizar o acesso às quadras públicas, oferecendo um ambiente competitivo seguro, adaptado e acolhedor para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Síndrome de Down e outras manifestações de neurodivergência. O calendário oficial de confrontos será executado entre os meses de junho e dezembro, mobilizando e ocupando uma vasta rede de quadras e campos de esporte distribuídos estrategicamente por todas as Regiões Administrativas (RAs) da capital pernambucana.
REGRAS DE INSCRIÇÃO E PRÉ-REQUISITOS DOCUMENTAIS PARA OS TIMES
Para assegurar a lisura organizativa e a segurança dos competidores, a comissão técnica do Recife Bom de Bola estabeleceu critérios bem definidos em seu regulamento geral. Cada delegação inscrita na categoria neurodivergente deve ser composta por um contingente de 10 a 20 atletas, abraçando uma faixa etária bastante ampla, que vai dos 11 aos 60 anos de idade. Além dos jogadores de linha e goleiros, os times podem registrar até quatro membros na comissão técnica (incluindo técnicos, auxiliares e preparadores).
A engenharia do cadastro exige o fornecimento obrigatório dos seguintes dados e certidões:
DOCUMENTAÇÃO PESSOAL: Cópia nítida do Registro Geral (RG) e do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de todos os atletas;
CANAIS DE CONTATO: Indicação de um número ativo de WhatsApp e um endereço de e-mail válido para o recebimento de notificações, tabelas de jogos e convocações da organização.
O secretário de Esportes do Recife, Eduardo Mota, defendeu o impacto humanitário e social da medida na construção de políticas públicas integradas. “O esporte atua como uma poderosa ferramenta de socialização, saúde e desenvolvimento cognitivo. Trazer uma categoria exclusiva para o público neurodivergente dentro do Recife Bom de Bola ultrapassa a barreira da mera competição: trata-se de garantir visibilidade, respeito e o direito fundamental de ocupar as quadras da nossa cidade com toda a dignidade e o suporte técnico que eles merecem”, destacou o gestor.
EXPANSÃO DO TORNEIO: BASQUETE 3X3, QUEIMADO E VÔLEI ENTRAM NA DISPUTA
A edição de 2026 consolida uma verdadeira metamorfose no DNA do Recife Bom de Bola. Consagrado historicamente como o templo máximo do futebol de terrão e do futsal amador, o projeto expande suas fronteiras olímpicas e passa a incorporar três novas modalidades ao seu cardápio de competições comunitárias: o basquete 3×3, o voleibol e o tradicional queimado.
Enquanto os prazos para futebol, futsal tradicional, vôlei e a categoria neurodivergente expiram no dia 31 de maio, o cronograma para as inscrições do basquete 3×3 e do queimado será disparado apenas no início de junho. Desde a sua fundação, o torneio atua como uma das principais ferramentas de ocupação positiva dos espaços urbanos e de pacificação de bairros na capital de Pernambuco. Ao colocar os atletas neurodivergentes no centro do protagonismo esportivo, a organização reforça o prumo da diversidade e prova que a paixão pela bola é um direito universal, capaz de derrubar preconitos e unir comunidades dentro e fora das quatro linhas.
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