
O forte crescimento imobiliário de João Pessoa esbarra em um gargalo que preocupa empresários, trabalhadores e investidores. Segundo o CEO da Nordeste Incorporações, George Vasconcelos, a emissão de alvarás de construção na capital pode levar entre nove e quinze meses, enquanto a liberação do habite-se chega a demorar até dez meses após a conclusão das obras.
A demora afeta diretamente um dos setores mais importantes da economia pessoense. Atualmente, a construção civil movimenta mais de R$ 5 bilhões por ano em vendas imobiliárias e gera cerca de R$ 300 milhões em arrecadação municipal por meio de tributos como ITBI, IPTU, ISS e outorga onerosa.
Burocracia começa antes mesmo das obras
De acordo com o empresário, os atrasos começam ainda nas etapas iniciais dos processos administrativos. Problemas cadastrais, divergências entre registros cartoriais e dados municipais, além da necessidade de regularização de endereços e lotes, podem acrescentar meses ao cronograma dos empreendimentos.
Em alguns casos, ruas oficialmente existentes continuam cadastradas apenas como quadras e lotes nos sistemas públicos, exigindo processos adicionais de atualização documental que podem levar até cinco meses para serem concluídos.
Falta de tecnologia amplia os atrasos
Outro ponto apontado pelo setor é a ausência de ferramentas de automação e inteligência artificial nos processos de análise urbanística. Atualmente, grande parte das avaliações é realizada manualmente pelos técnicos da SEPLAN, que precisam conferir individualmente projetos, documentos e parâmetros previstos no Plano Diretor.
Segundo George Vasconcelos, sistemas capazes de cruzar automaticamente informações sobre recuos, altura máxima, ocupação do solo e vagas de garagem poderiam reduzir significativamente os prazos sem comprometer a segurança das análises. Para ele, a tecnologia não substituiria os servidores, mas aumentaria a produtividade da equipe e permitiria uma resposta mais rápida à demanda crescente do mercado.
Mercado aposta em transformação digital
A expectativa do setor agora está voltada para a nova gestão municipal. Empresários acreditam que investimentos em digitalização, integração de sistemas e inteligência artificial podem destravar processos que hoje impactam diretamente novos investimentos, geração de empregos e arrecadação pública.
Para o mercado imobiliário, a discussão vai além da construção de prédios. Trata-se da capacidade de João Pessoa acompanhar seu próprio ritmo de crescimento e criar um ambiente mais eficiente para quem investe, gera empregos e ajuda a movimentar a economia da capital paraibana.
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