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Tratamento experimental reduz risco de morte e anima especialistas em oncologia
2 de junho de 2026 / 12:15
Foto: Divulgação

Um dos anúncios mais importantes da oncologia em 2026 foi apresentado durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), realizada em Chicago, nos Estados Unidos. O medicamento experimental daraxonrasib mostrou resultados considerados históricos no tratamento do câncer de pâncreas metastático, uma das formas mais agressivas e letais da doença.

Os dados foram divulgados durante a sessão plenária do congresso, espaço reservado aos estudos de maior impacto científico. Segundo os pesquisadores, o novo tratamento praticamente dobrou a sobrevida de pacientes que já não respondiam adequadamente às terapias convencionais.

Estudo mostrou ganho expressivo de sobrevida

A pesquisa de fase 3, denominada RASolute 302, acompanhou 500 pacientes com câncer de pâncreas avançado. Parte dos participantes recebeu o daraxonrasib por via oral diariamente, enquanto o outro grupo continuou utilizando a quimioterapia tradicional.

Entre os pacientes que apresentavam a mutação RAS G12, encontrada na maioria dos tumores pancreáticos, a sobrevida mediana alcançou 13,2 meses. No grupo tratado com quimioterapia, a média foi de 6,6 meses.

Os pesquisadores também observaram redução de 60% no risco de morte e atraso significativo na progressão da doença. A evolução dos tumores foi controlada por uma média de 7,3 meses com o novo medicamento, contra 3,5 meses nos tratamentos convencionais.

Menos efeitos colaterais e mais respostas ao tratamento

Outro resultado que chamou atenção foi a menor taxa de efeitos adversos graves. Apenas 1,2% dos pacientes interromperam o uso do daraxonrasib devido a reações indesejadas. Entre os pacientes tratados com quimioterapia, esse percentual chegou a 11,2%.

Além disso, 31% dos participantes que utilizaram o medicamento apresentaram redução mensurável dos tumores, quase três vezes mais do que os resultados observados no grupo submetido à terapia convencional.

Especialistas avaliam que a combinação entre eficácia e menor toxicidade pode representar uma mudança importante no tratamento da doença.

Desafio também preocupa o Nordeste

O câncer de pâncreas continua sendo um dos maiores desafios da medicina moderna. A doença costuma evoluir silenciosamente e, na maioria dos casos, é descoberta apenas em estágios avançados.

No Brasil, são estimados cerca de 13 mil novos casos e aproximadamente 12 mil mortes por ano. Na Paraíba, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam cerca de 190 novos diagnósticos anuais.

Fatores como envelhecimento populacional, tabagismo, obesidade, diabetes e o diagnóstico tardio contribuem para os elevados índices de mortalidade.

Agora, a farmacêutica responsável pelo desenvolvimento do daraxonrasib prepara o pedido de aprovação junto à FDA, agência reguladora dos Estados Unidos. Caso receba autorização, o medicamento poderá inaugurar uma nova etapa no combate a um dos cânceres mais difíceis de tratar, oferecendo esperança para milhares de pacientes em todo o mundo.

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