
O ritmo de expansão da economia nacional registrou uma perda de fôlego mais intensa do que a projetada pelos analistas financeiros no fechamento do primeiro trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), amplamente considerado pelo mercado como a prévia oficial do Produto Interno Bruto (PIB), registrou uma retração de 0,67% no mês de março. O resultado veio significativamente abaixo das expectativas das principais instituições e corretoras, que antecipavam um recuo mais brando, na casa de 0,40%.
Apesar do tombo registrado no último mês do período, o indicador do Banco Central conseguiu fechar o primeiro trimestre de 2026 com um saldo acumulado positivo de 1,3% em comparação com os três meses imediatamente anteriores. O dado trimestral sinaliza que, embora a atividade econômica esteja operando sob forte estresse monetário, o aparato produtivo do país ainda demonstra traços de resiliência, sobretudo após um início de ano que se desenhou mais aquecido nas áreas do comércio e emprego.
Setor de serviços puxa indicador para baixo e indústria patina
A retração de março afetou, de forma síncrona, todos os grandes motores do PIB brasileiro. O impacto mais severo foi anotado no setor de serviços, que responde por aproximadamente 70% de toda a atividade econômica do país e encolheu 0,8% no período. A radiografia dos dados setoriais do IBC-Br revelou ainda que a indústria amargou uma queda de 0,2%, a agropecuária recuou 0,2% e o recolhimento de impostos operou em baixa de 0,2%. Quando isolada a força do agronegócio, o índice geral registrou uma queda ainda mais acentuada, batendo em 0,9%.
Analistas de mercado são unânimes em apontar que a principal âncora para essa perda de tração é a manutenção de uma política monetária fortemente restritiva por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). Com o crédito encarecido e as taxas básicas de juros em patamares elevados, empresas e famílias tendem a postergar grandes investimentos e contrair o consumo. Esse freio só não foi maior devido à blindagem exercida por um mercado de trabalho que segue aquecido, pelo ganho real da massa salarial e pela continuidade de programas governamentais de transferência de renda e renegociação de dívidas.
Focus eleva projeção da Selic para 13,25% e inflação preocupa
O cenário macroeconômico atual expõe uma queda de braço entre forças opostas: de um lado, o consumo das famílias é estimulado pelo emprego resiliente; de outro, o endividamento crônico, a inflação persistente e os juros altos sufocam o poder de compra. A inflação do setor de serviços, em especial, segue monitorada sob lupa pelo Banco Central por ser o termômetro mais fiel da pressão de demanda interna e um dos principais empecilhos para o início de um ciclo consistente de afrouxamento monetário.
Diante do novo panorama, as projeções para o encerramento do ano foram recalibradas pelas principais casas de análise. O Relatório Focus mais recente consolidou uma elevação na expectativa da taxa Selic para o fim de 2026, projetando-a em 13,25%, enquanto a estimativa para o IPCA subiu para 4,92%, furando o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Com os juros no topo por mais tempo, as projeções de crescimento do PIB para este ano passaram a flutuar em um teto modesto entre 1,7% e 2,0%, lideradas pela XP Investimentos (2,0%), seguida pela Suno Research (1,8%) e pelo Banco Daycoval (1,7%), consolidando um cenário de pouso gradual para a economia nacional.
Para acompanhar as análises de mercado, balanços do Banco Central, projeções do IPCA e os reflexos dos juros na economia do nosso estado, acesse a nossa editoria Economia.