
O lançamento do Atlas do Hidrogênio Verde reafirma o protagonismo do Rio Grande do Norte (RN) na busca por fontes de energia limpa, colocando o estado em destaque na corrida global por esse setor emergente. O estudo apresenta dados técnicos e econômicos que posicionam o RN como um dos principais candidatos a se tornar um polo competitivo da indústria de hidrogênio verde no Brasil. Em um contexto de transição energética acelerada, o Rio Grande do Norte reúne vantagens estruturais significativas, especialmente pela combinação de abundantes recursos naturais e alta capacidade de geração de energia renovável.
A produção do hidrogênio verde depende diretamente da eletricidade proveniente de fontes limpas, e é nesse ponto que o RN se sobressai, graças à sua elevada produtividade em energia eólica onshore, somada à complementaridade com a geração solar e à disponibilidade de litoral, que possibilita projetos de dessalinização. Esses fatores contribuem para a redução dos custos de produção — um aspecto crucial para o desenvolvimento do setor. Segundo o Atlas, a eletricidade pode representar até 70% do custo final do hidrogênio, o que torna regiões com fontes renováveis abundantes mais competitivas. Estimativas indicam que o custo de produção no RN varia entre US$ 1,92 e US$ 4,20 por kg com energia eólica, e entre US$ 3,40 e US$ 3,58 por kg com energia solar, valores que tendem a se aproximar da competitividade com o hidrogênio de origem fóssil entre 2030 e 2035.
O litoral norte do Rio Grande do Norte desponta como área estratégica para o desenvolvimento desse mercado, com destaque para municípios como Mossoró, São Miguel do Gostoso e Tibau. A região oferece vantagens logísticas, proximidade a parques de geração renovável e áreas disponíveis para instalação de complexos industriais. Já existem projetos iniciais previstos para investimentos bilionários, incluindo plantas integradas de hidrogênio e amônia verde.
O potencial técnico estimado para produção de hidrogênio verde no RN alcança 90 milhões de toneladas por ano. Mesmo considerando um aproveitamento conservador de 10%, o volume anual seria de cerca de 10 milhões de toneladas, quantidade suficiente para abastecer o mercado interno e abrir espaço para exportações no médio prazo.
O hidrogênio verde é um combustível limpo produzido pela eletrólise da água, processo que separa o hidrogênio do oxigênio utilizando energia elétrica de fontes renováveis, como vento e sol. Ao contrário do hidrogênio tradicional, que depende de combustíveis fósseis e gera emissões de carbono, o hidrogênio verde não emite gases poluentes em sua produção, sendo uma peça fundamental na transição energética global.
Suas múltiplas aplicações incluem uso em transporte pesado como combustível para caminhões, navios e aviões, substituição do hidrogênio fóssil na indústria, produção de fertilizantes por meio da amônia verde, siderurgia com menor emissão de carbono e armazenamento de energia renovável para uso posterior. Essa versatilidade reforça seu papel estratégico na descarbonização da economia.
Apesar do potencial exportador, o início da expansão da cadeia produtiva do hidrogênio verde no RN deve focar no mercado interno, impulsionado pela necessidade de reduzir as emissões da indústria brasileira. Desafios como a definição de marco regulatório, avanços tecnológicos, infraestrutura logística e demanda ainda precisam ser superados, mas o estado apresenta fundamentos sólidos para ocupar posição de destaque no mercado global, apoiado pela abundância de energia renovável e capacidade de expansão em larga escala. Assim, o Rio Grande do Norte se posiciona no centro de uma transformação energética que deverá ganhar força na próxima década.