
Os carros elétricos têm se destacado significativamente no mercado brasileiro, alcançando cerca de 40% das vendas no segmento de veículos eletrificados. Dados referentes à primeira quinzena de abril revelam uma mudança importante no perfil da eletrificação no país, que historicamente era dominado pelos modelos híbridos.
Segundo pesquisa da Bright Consulting, os veículos eletrificados representaram 17,4% das vendas totais de automóveis leves neste período, totalizando 18,2 mil unidades comercializadas — quase o dobro do registrado no mesmo intervalo em 2025.
Dentro desse segmento, os veículos totalmente elétricos (BEV) lideram as vendas com 7.353 unidades, correspondendo a 40,4% do total. Em seguida aparecem os híbridos plug-in, com 28,3%, os híbridos convencionais, com 20,7%, e os híbridos leves, que somaram 9,7%. Modelos com extensor de autonomia ainda têm participação pouco significativa.
O avanço dos carros elétricos indica uma mudança no mercado brasileiro, que anteriormente crescia principalmente com base nos híbridos, devido a limitações de infraestrutura e perfil do consumidor. Agora, a maior oferta de modelos, a melhoria no custo-benefício e a expansão gradual da rede de recarga estimulam a adoção dos veículos totalmente elétricos.
Outro fator que contribui para esse crescimento é o avanço das montadoras chinesas no país, que já respondem por cerca de 16,7% do mercado total de veículos e oferecem grande parte dos modelos elétricos, influenciando diretamente o mix de vendas. Entre os destaques, o BYD Dolphin Mini lidera entre os elétricos, enquanto o BYD Song Pro é o mais vendido entre os híbridos plug-in.
No geral, o mercado brasileiro de veículos leves registrou 104,7 mil emplacamentos na primeira metade de abril, com aumento de 2,9% em relação a março e de 4,7% na comparação anual. No acumulado de 2026, foram vendidas 701 mil unidades, o que representa um crescimento de 13,7%.
Apesar do desempenho positivo, especialistas indicam que o ritmo de crescimento deve ser mais moderado nos próximos meses devido ao cenário macroeconômico, que inclui pressões sobre combustíveis e incertezas externas. Mesmo assim, a eletrificação avança de maneira consistente e começa a redefinir o equilíbrio do setor automotivo no Brasil.