João Pessoa 31.13 nublado Recife 31.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nublado Maceió 31.69 nuvens dispersas Salvador 29.98 nublado Fortaleza 31.07 nuvens dispersas São Luís 31.11 chuva leve Teresina 32.84 nuvens dispersas Aracaju 31.97 algumas nuvens
publicidade
Uso de inteligência artificial na produção de fake news cresce no Brasil
16 de abril de 2026 / 18:06
Foto: Divulgação

Uma pesquisa da Agência Lupa aponta um crescimento significativo no uso de inteligência artificial para a criação e disseminação de fake news na internet, revelando uma nova fase da desinformação digital.

O estudo analisou 1.294 verificações realizadas em pelo menos dez idiomas e constatou que 81,2% dos conteúdos falsos com uso de IA surgiram entre janeiro de 2024 e março de 2026. Esse dado mostra como a tecnologia tem sido rapidamente incorporada à produção de informações enganosas em escala global.

No Brasil, o avanço foi ainda mais expressivo. Entre 2024 e 2025, houve um aumento de 308% nos casos identificados, passando de 39 para 159 ocorrências. Até março de 2026, já foram registradas mais de 200 verificações desse tipo de conteúdo no país, evidenciando a aceleração do fenômeno.

Os materiais manipulados incluem textos, imagens, áudios e vídeos — com destaque para os deepfakes, técnica baseada em inteligência artificial que permite simular rostos e vozes de pessoas reais com alto grau de realismo. Esses conteúdos costumam abordar temas sensíveis e de grande impacto, como eleições, conflitos internacionais e golpes financeiros.

A pesquisa também revela um viés político crescente: em 2025, cerca de 45% das fake news com uso de IA estavam relacionadas a disputas ideológicas. Figuras públicas são frequentemente utilizadas nesses conteúdos, o que aumenta a aparência de credibilidade e facilita a disseminação.

Outro ponto relevante é a diversificação dos canais de circulação. Embora aplicativos de mensagem como o WhatsApp ainda sejam centrais, redes sociais e plataformas de vídeos curtos também têm sido amplamente utilizadas para espalhar desinformação.

O levantamento identificou ainda diferenças por idioma, com maior volume de casos em inglês (427), seguido por espanhol (198) e português (111). Esse cenário acompanha a popularização de ferramentas de geração automática de conteúdo, que tornam mais fácil produzir e distribuir materiais falsos em larga escala.

O estudo integra o primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, iniciativa que busca mapear padrões, estratégias e impactos desse tipo de conteúdo, contribuindo para o trabalho de jornalistas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas no enfrentamento da desinformação.

publicidade
Copyright © 2025. Direitos Reservados.