
A rejeição de Jorge Messias pelo Senado Federal em 2026 chocou Brasília, mas não é um fato inédito — embora quase seja. Para encontrar a última vez que os senadores disseram “não” a um presidente da República sobre uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), é preciso voltar mais de 130 anos no tempo, ao governo do “Marechal de Ferro”, Floriano Peixoto.
O Recordista de Rejeições: Floriano Peixoto
O período recordista em nomes barrados foi o governo de Floriano Peixoto (1891-1894). Em meio a um clima de forte tensão política e revoltas, o Senado Federal rejeitou nada menos que cinco indicações do Marechal para a Suprema Corte:
- Barão de Itapicuru (1894): Rejeitado por não ter o “notável saber jurídico” exigido.
- Cândido Barata Ribeiro (1893): O caso mais famoso. Ele chegou a tomar posse e atuar por 10 meses, mas o Senado não confirmou sua indicação por ele ser médico, e não formado em Direito.
- Antônio Seve Navarro (1894): Barrado por questões políticas.
- Demétrio Nunes Ribeiro (1894): Recusou a indicação após saber da resistência dos senadores.
- Ewerton Quadros (1894): General que também teve o nome vetado pelos parlamentares.
O Século do “Sim”
Após o turbulento governo de Floriano, o Senado Federal adotou uma postura de quase total subserviência ou harmonia com o Executivo. Durante todo o século XX e o início do XXI, o rito de sabatina tornou-se quase uma formalidade.
Presidentes como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e até os generais do período militar nunca tiveram um nome sequer rejeitado para o Supremo. O Senado passou a ser visto como um “carimbador” de luxo para as escolhas presidenciais.
Por que Jorge Messias entrou para a história?
A rejeição de Messias em 2026 quebra um tabu de mais de um século. Analistas apontam que, diferentemente do caso de Barata Ribeiro (que era médico), a negativa a Messias foi puramente política.
O evento sinaliza uma nova era na relação entre os Poderes, onde o Senado retoma o que chama de “prerrogativa de fiscalização”, mas que o Planalto lê como uma afronta à governabilidade. O fato é que, agora, Jorge Messias figura em uma lista curtíssima ao lado de generais e médicos do século XIX. ⚖️