
O Nordeste recebeu um dos maiores anúncios econômicos dos últimos anos com a confirmação de investimentos superiores a R$ 72,5 bilhões da Petrobras em Sergipe. O pacote foi apresentado pela presidente da estatal, Magda Chambriard, e deverá consolidar o estado como um dos principais polos brasileiros de produção de gás natural ao longo da próxima década.
O foco dos investimentos está na Bacia Sergipe-Alagoas, considerada uma das fronteiras mais promissoras para exploração de petróleo e gás em águas profundas no país. A expectativa é que os projetos ampliem a produção energética nacional, fortaleçam a indústria regional e gerem milhares de empregos diretos e indiretos.
Complexo em águas profundas receberá maior parte dos recursos
O principal projeto contemplado é o Sergipe Águas Profundas (Seap), que concentrará cerca de R$ 60 bilhões dos investimentos anunciados. O empreendimento prevê a instalação das plataformas offshore P-81 e P-87, que juntas terão capacidade para produzir até 200 mil barris de petróleo por dia e processar aproximadamente 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente.
A estrutura também contará com um novo gasoduto para transportar o combustível até a costa sergipana. Segundo o cronograma apresentado pela Petrobras, a produção deve começar em 2030, enquanto a exportação de gás está prevista para 2031.
As plataformas serão construídas pela empresa holandesa SBM Offshore, especializada em unidades de produção offshore utilizadas pela indústria petrolífera global.
Reativação da Fafen e geração de empregos ampliam impacto econômico
Além dos investimentos no projeto Seap, o pacote inclui a reativação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), localizada em Laranjeiras, e o descomissionamento de 26 plataformas antigas na costa sergipana.
A retomada da Fafen é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira da importação de fertilizantes nitrogenados, atualmente responsáveis por uma parcela importante da produção agrícola nacional. A expectativa é que a unidade represente cerca de 7% da demanda brasileira desse insumo.
Especialistas do setor energético estimam que os investimentos possam gerar aproximadamente 28 mil empregos diretos e indiretos, impulsionando atividades ligadas à construção civil, logística, serviços especializados, qualificação profissional e cadeia de fornecedores.
Nordeste pode dobrar participação na oferta de gás natural
Os efeitos dos investimentos devem ultrapassar as fronteiras de Sergipe. Estudos do setor indicam que a participação do Nordeste na oferta nacional de gás natural poderá saltar de 16% para 31% até 2035, fortalecendo a competitividade industrial da região.
Estados como Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará também poderão se beneficiar da ampliação da infraestrutura energética, especialmente em segmentos como fertilizantes, petroquímica, cerâmica, siderurgia, geração elétrica e produção de hidrogênio verde.
Durante o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o potencial transformador do projeto para a economia sergipana e para o desenvolvimento regional. Caso os cronogramas sejam cumpridos, o complexo poderá marcar uma nova fase para o setor energético nordestino, ampliando investimentos, empregos e a participação da região na matriz energética brasileira.
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