
O Brasil está prestes a dar um passo considerado histórico para o setor elétrico nacional. O Governo Federal prepara o primeiro leilão de baterias para armazenamento de energia elétrica do país, medida vista como estratégica para reduzir desperdícios da geração solar e eólica, especialmente no Nordeste.
O anúncio foi feito pelo Alexandre Silveira durante o Fórum Esfera Nacional, realizado em São Paulo.
Nos próximos dias, o Ministério de Minas e Energia deverá publicar a portaria do chamado Leilão de Reserva de Capacidade para Armazenamento (LRCAP 2026), que será conduzido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Na prática, o leilão contratará grandes sistemas de baterias capazes de armazenar energia produzida por parques solares e eólicos para uso posterior.
E o principal beneficiado será justamente o Nordeste.
Nordeste perde bilhões com desperdício de energia renovável
Hoje, o Nordeste concentra grande parte da geração de energia renovável do Brasil.
Estados como:
- Bahia;
- Ceará;
- Rio Grande do Norte;
- Piauí;
- Pernambuco;
lideram a expansão de parques solares e eólicos.
O problema é que a rede elétrica nacional ainda não consegue absorver toda a energia produzida em determinados horários.
Quando isso acontece, ocorre o chamado “curtailment”:
as usinas precisam reduzir ou interromper geração mesmo com vento forte e sol abundante.
Em 2024:
- o Nordeste concentrou 75% das interrupções nacionais;
- foram mais de 330 mil horas de geração suspensa;
- os prejuízos ultrapassaram R$ 1,6 bilhão.
As baterias entram justamente para resolver esse gargalo.
“O armazenamento funciona como uma espécie de reservatório de energia do futuro.”
A tecnologia permitirá guardar o excedente produzido durante horários de pico e liberar energia quando houver maior demanda ou limitação na transmissão.
Leilão pode atrair bilhões e criar nova cadeia econômica
O setor elétrico já trata o armazenamento energético como uma das próximas grandes fronteiras da transição energética brasileira.
Segundo estimativas do mercado:
- existem cerca de 18 GW em projetos prontos;
- a contratação inicial deve ser de 2 GW;
- os investimentos podem ultrapassar R$ 10 bilhões inicialmente;
- até 2030, o setor pode movimentar mais de R$ 22 bilhões.
Empresas globais como:
- Tesla
- WEG
- CATL
- Huawei
já acompanham o avanço do mercado brasileiro.
O modelo brasileiro também busca evitar forte dependência de subsídios públicos, apostando em equilíbrio econômico e fortalecimento da indústria nacional.
Nordeste pode virar potência do armazenamento energético
Especialistas apontam que o Nordeste possui características ideais para liderar essa nova etapa:
- alta produção renovável;
- crescimento da energia solar;
- expansão da energia eólica;
- grandes áreas disponíveis;
- corredores energéticos já instalados.
Além disso, o armazenamento pode reduzir perdas, melhorar estabilidade elétrica e ampliar eficiência do Sistema Interligado Nacional.
O modelo do leilão prevê:
- baterias com potência mínima de 30 MW;
- fornecimento por pelo menos quatro horas diárias;
- eficiência superior a 85%;
- contratos de dez anos.
A expectativa é que os primeiros sistemas entrem em operação a partir de 2028.
Na prática, o Nordeste pode deixar de ser apenas grande produtor de energia limpa para se tornar também protagonista da nova economia do armazenamento energético global.
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