
A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Nordeste caminha para os seus últimos meses apresentando uma mudança importante no perfil produtivo do setor sucroenergético regional. Dados divulgados pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) mostram que a moagem alcançou 48,96 milhões de toneladas até 30 de abril, volume 1,4% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. Apesar da redução no processamento da matéria-prima, o setor conseguiu ampliar a produção de biocombustíveis e consolidar uma mudança estratégica observada ao longo de todo o ciclo.
Etanol ganha espaço nas usinas nordestinas
A produção total de etanol cresceu 6,2% na comparação com a safra passada, atingindo 1,86 milhão de metros cúbicos. O principal destaque foi o etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória à gasolina, cuja fabricação avançou 20,2%, chegando a 637,1 mil metros cúbicos. Já o etanol hidratado manteve estabilidade, registrando leve crescimento de 0,1% e alcançando 1,225 milhão de metros cúbicos. Os números refletem uma maior destinação da cana para a produção de combustíveis renováveis, movimento acompanhado por diversas usinas da região.
Produção de açúcar registra retração
Enquanto o etanol avançou, a fabricação de açúcar apresentou queda expressiva de 16,8%, totalizando 2,92 milhões de toneladas produzidas até o final de abril. Segundo o levantamento da NovaBio, fatores como a redução dos preços internacionais do açúcar, o aumento de barreiras comerciais em mercados externos e as incertezas relacionadas às cotas de importação dos Estados Unidos influenciaram diretamente a decisão das indústrias. O cenário levou parte das usinas a direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o segmento de biocombustíveis, considerado mais atrativo durante a safra.
Mudança histórica no perfil produtivo
A alteração também ficou evidente no chamado mix de produção, indicador que mede o destino da cana processada pelas usinas. Nesta safra, a participação do açúcar caiu de 54,28% para 48,16%, enquanto o etanol passou de 45,72% para 51,84%, tornando-se o principal produto derivado da cana no Nordeste. O estudo também identificou uma redução de 6,2% no índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), indicador utilizado para medir a qualidade da matéria-prima e seu rendimento industrial. Estados como a Paraíba participam diretamente desse cenário por meio das usinas instaladas na Zona da Mata, que integram os dados consolidados pela NovaBio para a região.
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