
Pesquisadores do Projeto Ecotuba estão realizando, ao longo desta semana, uma ação intensiva de educação ambiental em Fernando de Noronha, com o objetivo de orientar moradores e turistas sobre o comportamento dos tubarões, reduzir riscos de incidentes no mar e promover uma convivência mais segura e consciente com esses animais marinhos. A iniciativa busca, sobretudo, combater a desinformação e o medo excessivo, reforçando o papel fundamental dos tubarões no equilíbrio dos ecossistemas oceânicos.
A ação integra as atividades do Núcleo de Educação Ambiental Professor Fábio Hazin, ligado à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e ocorre mensalmente desde 2023, em parceria com a Administração de Fernando de Noronha. Nos últimos meses, porém, as atividades foram reforçadas após a ocorrência de incidentes envolvendo tubarões na região, o que aumentou a preocupação da população e dos visitantes.
Um dos casos mais recentes aconteceu no dia 9 de janeiro, quando a advogada Tayane Dalazem sofreu uma mordida de tubarão-lixa durante um mergulho em frente à Associação dos Pescadores. Ela foi prontamente socorrida, recebeu atendimento médico na ilha e teve alta sem complicações, mas o episódio reacendeu o debate sobre segurança no mar e a necessidade de informação qualificada.
Durante a ação educativa, moradores e turistas podem visitar uma exposição interativa, que apresenta arcadas dentárias, dentes, fragmentos de pele e outros materiais biológicos relacionados aos tubarões. A proposta é permitir que o público conheça de perto características anatômicas e biológicas dos animais, ajudando a desmistificar a imagem de ameaça constante associada a eles.
Além da exposição, os pesquisadores realizam orientações diretas sobre segurança para o banho de mar, explicando boas práticas para reduzir riscos, como evitar horários e locais inadequados para mergulho, respeitar o comportamento natural dos animais e seguir normas de segurança. Outro eixo central da ação é a conscientização sobre a importância ecológica dos tubarões, que atuam como predadores de topo e são essenciais para a saúde dos oceanos.
A bióloga Mariana Rêgo, integrante do Projeto Ecotuba, destaca que a educação ambiental precisa ser feita de forma clara, acessível e baseada em ciência. Segundo ela, o público demonstra grande interesse em aprender sobre a alimentação, o comportamento, os padrões de reprodução e as espécies presentes em Noronha, o que contribui para reduzir o medo e aumentar o respeito pelos animais. “Quando as pessoas entendem como os tubarões vivem, elas passam a enxergá-los de outra forma”, explica.
As atividades seguem até o sábado, dia 24, em pontos estratégicos da ilha, como o Porto de Santo Antônio e as praias do Sueste, Boldró e Conceição. Durante as abordagens, os pesquisadores também distribuem o livro “Tubalina”, uma publicação educativa que apresenta o Projeto Ecotuba de maneira leve, didática e voltada para públicos de todas as idades.
Turistas que participam da ação ressaltam a importância da iniciativa. A professora Talita Camargo afirma que a atividade ajuda a esclarecer dúvidas e diminuir receios, enquanto o engenheiro Éverton Silva destaca que a informação correta é fundamental para evitar a demonização dos tubarões, frequentemente retratados de forma sensacionalista.
Paralelamente às ações educativas, o Projeto Ecotuba desenvolve pesquisas científicas há mais de dez anos em Fernando de Noronha, monitorando o comportamento, a distribuição e a reprodução dos tubarões na região. Recentemente, a equipe confirmou a gestação de tubarões-tigre, por meio de exames de ultrassom, um avanço relevante para o conhecimento científico sobre a espécie e para a conservação marinha.
Como parte desse esforço integrado, os pesquisadores estão elaborando um protocolo de normas específicas para mergulho na área da Associação dos Pescadores. O documento será apresentado à Administração da Ilha e ao ICMBio e recomenda medidas como a manutenção de distância mínima de dois metros dos tubarões, a presença obrigatória de guia credenciado e o uso de colete durante os mergulhos, visando aumentar a segurança de visitantes e profissionais.
Com a união entre pesquisa científica, educação ambiental e gestão pública, as ações do Projeto Ecotuba buscam fortalecer a convivência segura entre seres humanos e tubarões em Fernando de Noronha, protegendo tanto a vida humana quanto a biodiversidade marinha. A iniciativa reforça que informação, respeito e ciência são os principais aliados para garantir a preservação ambiental e a segurança no mar.