
Sergipe destacou-se como o estado brasileiro com a maior redução no fornecimento diário de água ao longo dos últimos dez anos, conforme revelam dados do suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 2025, divulgados pelo IBGE em 17 de março. Em 2025, apenas 64,8% dos domicílios sergipanos conectados à rede de água recebiam o serviço diariamente. Em comparação, em 2016, esse índice era de 81,6%, representando uma queda de 16,8 pontos percentuais. Esse dado posiciona Sergipe como o terceiro estado com menor percentual de disponibilidade regular de água no país.
Segundo William Araújo Kratochwill, analista do IBGE, tal cenário se deve, em parte, ao descompasso entre o ritmo das construções de novos domicílios e a expansão da rede de abastecimento. “O número total de domicílios aumenta ano a ano. Eles podem estar sendo construídos em um local onde não há rede”, explicou. Na capital, Aracaju, 85,2% das residências contam com água diariamente, chegando à 20ª colocação entre as 27 capitais brasileiras e superando capitais nordestinas como Maceió (84%), São Luís (69%) e Recife (68,6%).
A Iguá Sergipe, responsável pela distribuição de água no estado desde maio de 2024, comunicou que iniciou obras emergenciais para melhorar o abastecimento. Entre as iniciativas, está a implantação de 59 km de novas adutoras que beneficiarão cerca de 70 mil pessoas em seis municípios. Além disso, a concessionária executa um plano que contempla 60 intervenções em 25 municípios, bem como o Plano Verão, que envolve 20 grandes obras em 30 municípios. Este inclui a entrega de 10 reservatórios, ampliando a capacidade do sistema em 2 mil litros por dia, além de ações para setorização e correção de vazamentos nas adutoras.
O contrato da Iguá Sergipe tem duração de 35 anos e visa a universalização do acesso à água até 2033, com investimentos previstos de R$ 6,3 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 250 milhões já foram aplicados. A concessionária também realizou o pagamento de R$ 3,6 bilhões em outorga pela concessão e reforçou seu compromisso em solucionar os problemas históricos de desabastecimento do estado. Por sua vez, o governo de Sergipe ainda não se posicionou sobre o tema.
Em relação à coleta de lixo, Sergipe apresentou a maior expansão proporcional no serviço entre 2016 e 2025. Enquanto em 2016 apenas 68,3% dos resíduos eram recolhidos por serviços próprios da limpeza urbana, em 2025 o percentual alcançou 90,6%, beneficiando cerca de 779 mil domicílios e representando um avanço de 22,3 pontos percentuais.