
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) aprovou uma resolução estratégica que redefine os parâmetros para a fiscalização de eventos culturais financiados pelo erário. A norma, ratificada pelo Pleno do Tribunal, tem como metas centrais ampliar a transparência, coibir irregularidades e garantir que as festividades não comprometam a saúde financeira de estados e prefeituras.
Segundo o presidente da Corte, conselheiro Carlos Neves, a medida assegura segurança jurídica às contratações e reforça pilares da administração pública, como a moralidade e a economicidade.
Principais Mudanças e Proibições
A nova resolução detalha critérios rigorosos para que um evento seja considerado regular:
- Licitação e Formalidade: Torna-se obrigatória a realização de licitação ou chamamento público para a escolha dos artistas.
- Calamidade Pública: Fica terminantemente proibida a realização de eventos em cidades que estejam sob decreto de calamidade pública.
- Promoção Pessoal: É vedado o uso de shows para elogios ou menções a autoridades, exigindo cláusulas contratuais que impeçam a promoção pessoal de gestores.
- Capacidade Financeira: Os gastos devem ser compatíveis com o orçamento, priorizando sempre os serviços essenciais como saúde e educação.
Fiscalização e Alertas de Gastos
O Tribunal passará a atuar de forma preventiva e punitiva com mecanismos mais precisos:
- Notas de Empenho: Devem detalhar data, local, duração e identificação do artista. Se o cachê superar cinco salários mínimos, o empenho deve ser individualizado por apresentação.
- Limite de Receita: O TCE emitirá alertas caso os gastos com shows ultrapassem 3% da Receita Corrente Líquida do ente público no acumulado de 12 meses.
- Penalidades: O descumprimento pode levar à abertura de auditorias específicas e à responsabilização dos gestores por infração administrativa.
Cachês Milionários sob Holofote
A fiscalização ganha relevância diante dos valores vultosos registrados nos últimos anos. No São João de 2025, o cantor Wesley Safadão recebeu o cachê mais alto do estado, chegando a R$ 1,2 milhão em Caruaru.
Para a temporada de 2026 na Capital do Forró, os valores oficiais continuam em patamares elevados:
- Wesley Safadão: R$ 1,5 milhão.
- Projeto À Vontade: R$ 990 mil.
- Nattan: R$ 900 mil.
Em suma, as novas regras buscam equilibrar a preservação das tradições culturais com a responsabilidade fiscal em solo pernambucano. Para acompanhar o painel de transparência dos municípios e os desdobramentos políticos das auditorias, acesse nossa editoria Forró do Poder