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Viagem de 200 km: Peixe-boi Jaci surpreende biólogos e aparece no litoral de Fortaleza
21 de maio de 2026 / 09:07
Foto: Divulgação

O monitoramento da fauna marinha no litoral cearense registrou um deslocamento surpreendente que mobilizou biólogos e defensores ambientais. Jaci, uma fêmea de peixe-boi-marinho resgatada no ano de 2020 pela Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (ONG Aquasis), foi avistada nadando nas águas do litoral de Fortaleza nesta quinta-feira. O animal realizou uma verdadeira maratona oceânica ao percorrer uma distância de aproximadamente 200 quilômetros, deslocando-se da área de proteção de Icapuí, no extremo leste do estado, até a capital cearense.

Jaci carrega acoplada ao seu rabo uma boia equipada com um transmissor de rádio e GPS, que envia dados de localização em tempo real para o centro de controle da organização. De acordo com o biólogo Lucas Santos, coordenador do programa de monitoramento de peixes-bois da Aquasis, a fêmea enfrentou um longo e rigoroso processo de tratamento e engorda no Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos, em Caucaia. Após receber alta clínica, ela foi transferida para o cativeiro de aclimatação em mar aberto instalado em Icapuí, região estratégica bem próxima à divisa com o estado do Rio Grande do Norte.

Soltura e início da jornada pelo litoral cearense

Neste ano de 2026, após demonstrar plena capacidade de sobrevivência e adaptação às correntes marítimas, Jaci foi devolvida em definitivo à natureza. Inicialmente, a fêmea permaneceu estável nas áreas estuarinas e de alimentação de Icapuí, mas o comportamento migratório mudou de forma repentina nas últimas semanas. Os mapas de calor gerados pelo satélite indicaram uma movimentação contínua rumo ao oeste, trajeto que culminou com a sua aparição na faixa de praia de Fortaleza.

A engenharia de monitoramento por satélite é o principal escudo para garantir que Jaci e outros peixes-bois reabilitados não fiquem presos em redes de pesca artesanal ou sofram colisões com motores de embarcações de turismo. Além da boia transmissora, o mamífero possui uma marcação física de identificação com o número 17 gravado na região dorsal, entre a cabeça e a cauda.

ONG faz apelo para banhistas e pescadores não mexerem no equipamento

A coordenação da Aquasis emitiu um alerta institucional e um apelo direto a pescadores, surfistas e banhistas da capital. Lucas Santos reforça que, em hipótese alguma, a população deve tentar remover, cortar ou puxar a boia presa ao rabo do animal. O equipamento flutuante não causa dor ou incômodo ao bicho e é o único instrumento capaz de garantir a sua segurança no habitat natural.

Caso moradores ou turistas avistem Jaci nadando perto da arrebentação ou percebam a presença de uma boia sinalizadora isolada flutuando perto da praia, a orientação é entrar em contato imediato com as redes oficiais da ONG para repassar as coordenadas geográficas. A preservação do peixe-boi-marinho — uma das espécies de mamíferos mais ameaçadas de extinção no Brasil — depende diretamente dessa engrenagem que une a tecnologia de ponta desenvolvida nos laboratórios à consciência ecológica das comunidades litorâneas do Nordeste.

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