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Xadrez em Alagoas: Entenda por que a aproximação de JHC com a direita gera desconfiança em Lira e Gaspar
21 de maio de 2026 / 15:53
Foto: Divulgação

O cenário político de Alagoas entrou em uma fase de intensas articulações de bastidores para desenhar as principais forças que disputarão o comando do Palácio República dos Palmares. O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), avançou nas negociações para consolidar uma robusta aliança de direita no estado. O desenho da chapa majoritária governamental prevê o nome de JHC na disputa pelo governo do Estado, tendo como candidatos às duas vagas ao Senado Federal o deputado federal Arthur Lira (PP) e o deputado Alfredo Gaspar (PL). O bloco busca estruturar um palanque competitivo e unificado para bater de frente com a tradicional hegemonia da família Calheiros na região.

A tendência é que JHC enfrente nas urnas o ex-ministro dos Transportes e ex-governador Renan Filho (MDB), que desponta como o candidato governista apoiado diretamente pelo Palácio do Planalto e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do avanço formal nas conversas da oposição, o fechamento do bloco de direita ainda patina sob um forte clima de desconfiança interna. Aliados tradicionais temem uma nova mudança de prumo por parte de JHC, relembrando episódios recentes em que o tucano rompeu com combinados políticos previamente estabelecidos.

A quebra de promessa na prefeitura e a pressão das vagas ao Senado

A principal fonte de receio dos novos parceiros de chapa reside no histórico recente de descompatibilização da Prefeitura de Maceió. JHC havia prometido publicamente permanecer no comando da capital alagoana até o encerramento definitivo de seu mandato. No entanto, o gestor descumpriu o acordo institucional e renunciou ao cargo executivo nas vésperas do encerramento do prazo legal determinado pela Justiça Eleitoral, pegando parte do mercado político do estado de surpresa.

Diante desse retrospecto, a prioridade máxima de Arthur Lira e Alfredo Gaspar na mesa de negociações é garantir juridicamente que JHC mantenha o foco na disputa pelo governo estadual e não tente migrar para a corrida ao Senado. Ambos os deputados estão bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto no estado, mas sabem que enfrentarão uma disputa ferrenha contra o veterano senador Renan Calheiros (MDB), que mantém capilaridade eleitoral histórica nas prefeituras do interior de Alagoas. Para Lira e Gaspar, o apoio logístico e político do ex-prefeito da capital na cabeça de chapa é o trunfo necessário para blindar as duas vagas da oposição.

O fator Flávio Bolsonaro e o prumo eleitoral no interior

O alinhamento partidário também esbarra nas complexas especificidades do eleitorado nordestino. Pelo arranjo costurado com o PL, a chapa de JHC deveria servir de palanque principal no estado para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Contudo, analistas políticos apontam que a forte influência do lulismo nos municípios do interior de Alagoas — perímetro considerado o verdadeiro fiel da balança em votações estaduais — faz com que o ex-prefeito tucano relute em colar sua imagem de forma radical ao bolsonarismo, temendo perder votos preciosos em redutos tradicionais da esquerda.

Caso JHC decida recuar do acordo e crie um racha na oposição, alas mais duras do PL já defendem que o partido lance uma candidatura própria de Alfredo Gaspar ao governo de Alagoas, assegurando um palanque exclusivo para a direita. Gaspar, no entanto, oferece resistência ao plano. A avaliação de sua equipe técnica é de que o mandato como relator da CPMI do 8 de Janeiro conferiu a ele uma projeção nacional que praticamente assegura sua eleição ao Senado, enquanto um embate direto contra Renan Filho pelo governo do Estado seria uma jornada muito mais incerta e desgastante.

Da aproximação com Lula ao refúgio no ninho tucano

A trajetória de JHC nos últimos anos revela um histórico de pragmatismo e trânsito por diferentes correntes ideológicas. O ex-prefeito apoiou Jair Bolsonaro no pleito de 2022 e manteve-se filiado ao PL até março deste ano, deixando a legenda após ter o seu plano de se lançar ao Senado vetado pela cúpula nacional comandada por Valdemar Costa Neto.

No mesmo período, JHC ensaiou uma aproximação com o governo Lula, logrando êxito ao emplacar sua tia, Marluce Caldas, como ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) — uma indicação que contou, de forma irônica, com o endosso de Arthur Lira e da própria bancada dos Calheiros no Congresso. Agora filiado ao PSDB, o ex-prefeito tenta capitalizar a elevada aprovação que ostenta na região metropolitana de Maceió para compensar as fragilidades políticas no interior e consolidar a união das forças de direita, sob o olhar atento e desconfiado de seus novos e velhos aliados.

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